Opinião: burundanga

Sinônimo de algaravia, burundanga significa vozerio, alarido, palavreado confuso que, sem dúvida, reflete o momento em que vivemos, quando se ouve autoridades falando coisas, a torto e a direito, inaceitáveis ou pelo menos incompreensíveis e até ofensivas ao bom senso.

O “guru” dos Bolsonaros, o astrólogo (?) Olavo de Carvalho, por exemplo, outro dia, disse entre uma puxada no gatilho e outra que a única contribuição dos militares ao país desde a República Velha eram cabelo pintado e voz empostada. Afirmou também que “os milicos só fizeram cagada” e entregaram o país aos “comunistas”.
Outro mestre na “arte” da burundanga é o Ministro da Educação. Weintraub acaba de afirmar que irá atrás da “zebra gorda”, referindo-se aos salários dos professores. E não custa lembrar que ele já atacou os estudantes, depois os reitores e agora assesta pontaria no magistério.

Ah! Ele disse ainda que não concorda com o designativo “educação” porque essa se aprende em casa, revelando total desconhecimento do real significado do termo. Não percebe por ser obtuso (ou sofrer de outro bloqueio qualquer) que a educação se refere ao desenvolvimento físico, intelectual, ético, moral, social ou enfim, a qualquer dimensão nas quais exercitamos nossa humanidade.

Mas talvez ninguém supere o Ministro das Relações Exteriores na verborragia surreal. Ernesto Araújo, indicado que foi por Olavo de Carvalho para o cargo que forma a imagem exterior do Brasil, diz coisas do tipo “climatismo”, termo que usa se referindo a um pretenso alarmismo sobre mudanças climáticas, movimento que teria fins políticos para instalar ditaduras, segundo ele.

O nosso “Chanceler” afirmou também que “a esquerda se define, hoje, como a corrente política que quer fazer tudo para que as pessoas não nasçam” e ainda que ‘a fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico (?) significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história.”
Aliás o apelo à divindade e se portar como ungidos tem sido uma postura comum (lembram de Jesus na goiabeira?) da equipe bolsonarista.

Contudo, o Presidente Bolsonaro é “hour concours” na item algaravia. É imbatível. Questionado sobre como proceder para a preservação ambiental respondeu “é só você deixar de comer um pouquinho. É só você fazer cocô dia sim, dia não” (peço perdão pela literalidade).

Talvez pior, a fala do Bolsonaro sempre reflete a sua visão de mundo, digamos diferenciada. É o caso de quando falou de planejamento familiar e afirmou: “você olha que as pessoas que têm mais cultura, têm menos filhos” (lembrem que a prole dele corresponde a cinco). Depois ainda chamou os nordestinos de “paraíbas” (termo pejorativo aos brasileiros daquela região). Tem muito mais, mas deixemos o excedente para os chargistas (que aliás estão se fartando com as excentricidades dos principais atores atuais da política).

Mudando de assunto, vamos de burundanga para balbúrdia afim de resumir as notícias de hoje. A saber: Lava Jato usou provas ilegais do exterior para prender futuros delatores; Janot diz que cogitou matar Gilmar Mendes dentro do Supremo quando era PGR e Lava Jato manipulou impeachment de Dilma, diz Aloysio Nunes, do PSDB”.

É isso. Daí pergunto: se devolvermos o Brasil aos índios com um pedido de desculpas, é claro. Eles aceitariam?

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