Opinião | A direita cresce, se engalfinha e pode se autodestruir, enquanto a esquerda assiste parada

Imagem gerada com IA

O PL virou um monstro eleitoral. Cem deputados. Máquina, capilaridade, dinheiro e tempo de TV. O partido de Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto hoje é, com folga, o maior jogador do Congresso. Mas tem um detalhe que ninguém esconde mais: quanto maior o tamanho, maior o ego  e maior a briga interna.

A tal “direita unida” nunca existiu de verdade. Agora isso só ficou escancarado. O racha entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira não é fofoca de bastidor. É disputa de herança política. É briga pelo trono antes mesmo do rei cair. Porque todo mundo já entendeu: o bolsonarismo como conhecemos tem prazo de validade. E 2030 já está no radar.

Enquanto isso, a direita real é um Frankenstein. Tem o núcleo ideológico barulhento, que vive de guerra cultural. Tem o bloco fisiológico, que quer saber de emenda, obra e voto local. E tem o eleitorado que sustenta isso tudo: o homem da periferia cansado de promessas, o voto evangélico conservador e a classe média tradicional ligada ao agro. Essa mistura funciona para ganhar eleição. Mas não necessariamente para governar muito menos para conviver sem se destruir.

E do outro lado? A esquerda segue olhando para o próprio umbigo. Continua falando para os mesmos grupos, usando as mesmas pautas, com a mesma linguagem. Ganha presidência porque o lulismo ainda tem força popular. Mas perde terreno no Congresso porque não consegue dialogar com quem está fora da bolha. É simples: não cresce porque não conversa.

O resultado é um cenário perigoso e curioso ao mesmo tempo. A direita cresce, mas rachada. A esquerda tem liderança nacional, mas está estagnada. E o eleitor? Esse segue órfão de representação real, vendo um lado brigar entre si e o outro falar sozinho.

A corrida para o futuro já começou. E, do jeito que está, ninguém precisa derrotar a direita. Ela pode muito bem fazer isso sozinha.

Marco Antônio André, advogado e ativista de Direitos Humanos

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