Ocupação de leitos de UTI em SC é tema de debates na Assembleia Legislativa

Foto: Rodolfo Espínola/Alesc

A discussão que predominou na sessão de quarta-feira,8, da Assembleia Legislativa, mostra como Blumenau, ainda com uma situação controlada no que diz respeito a leitos de UTI, pode ter problema de lotação nos próximos dias, por conta da situação em cidades vizinhas, como Joinville, Itajaí e Balneário Camboriu.

Com várias regiões próximas da ocupação total dos leitos de UTI, diversos deputados apelaram ao governo para que agilize a abertura de mais leitos de terapia intensiva.

Confira no release enviado pela assessoria de imprensa da Alesc.

“Pelo amor de Deus, olha para as regiões Norte e Nordeste do estado, 100% dos leitos ocupados no Hospital São José, chegando a 100% no Regional Hans Dieter Schmidt, não tem mais espaço na rede pública para atendimento, precisa da contratação de leitos privados”, alertou Fernando Krelling (MDB).

Segundo o deputado, a prefeitura contratou 40 novos leitos de UTIs, enquanto o governo do estado destinou 20 leitos já existentes para pacientes com coronavírus.

“Não adianta mandar respiradores, temos que contratar médicos, enfermeiros, técnicos, equipes de UTI, os guerreiros do Hospital Regional estão com Covid, tem servidor no leito de UTI, é assustadora a situação de Joinville”, confessou Krelling.

Kennedy Nunes (PSD) apoiou o colega.

“Vinte novos leitos é mentira, estão fazendo uma gambiarra, fecharam o setor B para instalar o setor do Covid”, denunciou.

Ada de Luca (MDB) e Mauro de Nadal (MDB) também destacaram o avanço da pandemia e a corrida por mais leitos de UTI.

“No dia 15 de junho o secretário de Saúde falou que havia 372 leitos, que precisava de 712 e reclamou da demora do Ministério da Saúde em liberar novos leitos. O ministério liberou 233 e agora o estado tem 345 leitos habilitados! É uma confusão. Não dá para entender, estamos voltando para trás?”, questionou Ada, acrescentando que na região Sul também a ocupação beira os 100%.

“Há um desespero muito grande por leitos de UTI, por habilitação dos leitos de retaguarda, isso deveria ser ágil, mas está se perdendo no meio da burocracia. Apelo para que o governo agilize essas habilitações, Itapiranga está precisando, várias regiões estão precisando”, insistiu Mauro de Nadal, vice-presidente da Casa.

Já o deputado Doutor Vicente Caropreso (PSDB), que é médico, pintou um quadro desolador, denunciou a falta de sedativos e ponderou que os pedidos por reabertura e a divisão de responsabilidade entre o Executivo Estadual e as prefeituras apresentam a conta à sociedade.

“Solicitamos que houvesse abertura e que os municípios pudessem ter autonomia, agora estamos vendo a autonomia e quanto isso custa, o peso da responsabilidade dividido é forte. Não queríamos, mas a percepção da doença, a má percepção, não foi o governo do estado que veio, o exemplo foi nacional, andar sem máscara e aglomeração na ordem do dia”, disparou Caropreso.

O representante de Jaraguá do Sul pediu união de esforços.

“A palavra de ordem é ajudar. O senador Esperidião Amin, depois de um apelo nosso, tem promovido reuniões contínuas com o Ministério da Saúde na questão dos kits de anestésicos. Não adianta ter respiradores e vagas na UTI, precisa do medicamento, é um problema nacional. É preciso que o presidente aja com firmeza no cenário internacional. É preocupante a provável falta em vários pontos do estado”, previu Caropreso.

Altair Silva (PP) lembrou que a região de Chapecó experimentou um quadro semelhante ao de Joinville, e superou. E Maurício Eskudlark (PL) culpou o governador pela falta de leitos.

“A nossa baixa mortalidade do coronavírus credito ao bom uso do mel e do trabalho dos servidores de saúde, em Chapecó tivemos 100% dos leitos de UTIs ocupados e conseguimos superar”, informou Altair, referindo-se ao aumento da imunidade causada pelo uso do mel e derivados.

“Todos esses meses o estado não ampliou as UTIs, comprou alguns respiradores, despachou para alguns municípios, mas sem saber se tinha espaço para ampliar. Teve hospital que desativou leitos laboratoriais para fazer leitos de UTI, mas o governo não foi atrás para resolver o problema e hoje temos falta de remédios”, discursou o ex-líder do governo, que ponderou o impeachment do governador ou intervenção federal no estado.

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