O desabafo dos agora absolvidos no processo eleitoral do desdobramento da Operação Tapete Negro

O Informe Blumenau foi ouvir os personagens do julgamento de um processo que durou oito anos, um dos de maior repercussão eleitoral já vistos na cidade. Afinal, quando na história, cinco vereadores, três titulares e dois suplentes, tiveram seus mandatos cassados em Blumenau?

O inusitado, o fato sem precedentes e com interesse público, são algumas das molas do jornalismo. Foi o que aconteceu em 2012 com boa parte da imprensa – comigo não foi diferente -, que deu grande visibilidade ao tema, inclusive com repercussão nacional.

Foram cinco julgamentos, em diferentes instâncias. Por três vezes, duas em primeira instância e uma pelo TRE, foram condenados. Em duas, uma no TSE e agora novamente no TRE, foram inocentados.

Não é invenção da imprensa, aconteceu. Como a notícia da absolvição nesta quinta-feira.

O maior escândalo político da história recente de Blumenau não teve condenados. As fontes da imprensa sempre foram as oficiais, o Ministério Público e o Poder Judiciário.

Mas só os quatro absolvidos nesta quinta-feira, 13, pelo TRE – e seus familiares -, sabem o que passaram e o Informe Blumenau abre espaço para eles.

Fábio Fieldler e Robinson Soares, que está na Itália, mandaram mensagem, que está na íntegra. Falei com o Braz Roncáglio por telefone, tentei ser o mais literal possível.

O único que não quis se manifestar para o Informe Blumenau foi o vereador Almir Vieira (PP). Durante a sessão da Câmara nesta quinta, falou do seu sentimento na tribuna. Reproduzo o texto que veio da assessoria de imprensa do Legislativo.

Fábio Fiedler:

“Como estou definitivamente fora dos processos eleitorais faço reflexoes diferentes hoje. Essa decisão corrige um erro histórico do nosso poder judiciário. Minha atuação política, depois de duas eleições históricas de mais de 4500 (2008) e 5500 (2012) votos pra vereador, foi abruptamente interrompida por essa irresponsabilidade. Passei 7 anos sendo acusado injustamente, tive o mandato cassado, a família constrangida, a imagem esmagada, e agora? Esse é o reflexo de um poder falido.

O poder judiciário mostra, com essa decisão tardia, que também merece uma reforma. Um promotor irresponsável que fez uma acusação sem provas e sem dar a nós, à época, a integralidade dos áudios de acusação pra fazermos nossas defesas. Um juiz substituto que, sem nunca ter atuado no direito eleitoral, deu uma sentença atendendo a sei lá que interesses, uma pressão das redes sociais que é indefensável quando se é vítima.

Conclusão, pessoas de bem que se metem na política tem que ter cuidado pra não serem esmagadas por esse sistema. Não desejo a ninguém passar pelo que passei, mas obrigado aos amigos e eleitores que confiaram em mim ao longo desse tempo”.

Robinsom Soares, Robinho:

“…essa decisão, bastante consistente, com votos do relator e do juiz federal bastante estudadas e elaboradas, são o que sempre falamos desde o início. O ministério público escolheu alguns poucos áudios, selecionou trechos das conversas, interferiu na descrição destas conversas e realizou interpretações completamente fora do contexto. Vale a pena destacar que eu não sou réu e nem citado em nenhuma das 11 acoes decorrentes especificamente da operação Tapete Negro.

Dessa forma, sempre tive minha consciência tranquila em nunca ter realizado qualquer atividade ilícita, imoral ou injusta. Sempre pautei minha atuação com moral, bons costumes e elevado espírito público. Entendo que apesar da decisão ser tardia (nas últimas eleições não fui reeleito por 18 votos e certamente teríamos um resultado diferente), porém possibilita pra minha família, para os amigos e para todos que sempre nos apoiaram, o resgate da verdade e a possibilidade de reescrever essa triste passagem da minha vida pública. Certamente meu coração, minha alma e meus pensamentos estão leves e felizes com essa decisão.

Agradeço a todos que sempre confiaram e acreditaram que esse momento chegaria. Forte e Fraternal Abraço.”

Braz Roncaglio:

“O senhor sabe que abrir um travesseiro em frente a um ventilador joga pena para tudo que é lado. Você consegue juntar algumas, todas não. A imagem que ficou contra nós desde aquela época até agora não apaga mais. Fiquei feliz pois foi feito justiça.  Posso afirmar que vivi o tempo inteiro de cabeça erguida, nunca baixei.

Vivi minha vida toda tranquila, no meio de todo mundo, conversando com todo mundo e sem medo, e a Justiça veio. Agradeço as pessoas que acreditaram na minha inocência e também as pessoas que tiveram a paciência de esperar, assim como eu, ter este resultado.”

Almir Vieira : (texto assessoria de imprensa da CMB)

O vereador Almir Vieira (PP) destacou a absolvição de todos os investigados na Operação Tapete Negro. Fez um desabafo sobre a situação que viveu desde que foi citado como um dos envolvidos. Disse que não se sentiu revoltado com a Justiça, que estava cumprindo o seu papel, mas sim com a sociedade que o condenou. Afirmou que foram bocas alugadas e a imprensa suja que o condenaram sem saber do que falavam.

Disse que a situação atingiu toda a sua família, que pagou o preço por oito anos e que no dia de hoje estava se curando de uma doença, porque se sentia como se tivesse uma doença contagiosa, pois muitos deixaram de conversar e de se aproximar dele. Por fim fez agradecimentos especiais aos companheiros que passaram pela mesma situação, citando os ex-vereadores também envolvidos na operação e o ex-prefeito João Paulo Kleinübing.

Agradeceu sua família que sempre esteve ao seu lado lhe apoiando e também ao então vereador na época, Mário Hildebrandt, por ser o único a não usar a tribuna para condená-lo e que jamais deixou de recebê-lo.

1 Comentário

  1. Caro Alexandre,

    Os investigado não foram absolvidos , o processo foi anulado pelo TRE 4 em razão da acusação não ter inserido no processo todas as conversas telefônicas .

    Isto não significa absolvição .

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