Mendonça autoriza inquérito para investigar filho de Lula por suspeita de corrupção e tráfico de influência

Foto: Danilo M. Yoshioka/Especial Metrópoles

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (30). A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

O pedido foi feito pela Polícia Federal e autorizado pelo ministro André Mendonça. As suspeitas surgiram durante a investigação sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo a PF, a quebra de sigilo do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, indicou que ele repassou R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva. Os pagamentos teriam sido feitos em cinco parcelas de R$ 300 mil.

De acordo com os investigadores, um dos objetivos do lobista seria conseguir um contrato no Ministério da Saúde para fornecer medicamentos feitos à base de cannabis. O contrato, porém, não foi fechado.

Viagem para Portugal

Em depoimento, Roberta Luchsinger confirmou que apresentou Antônio Camilo Antunes ao filho do presidente Lula.

Segundo a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, ele viajou com o lobista para Portugal para conhecer uma fábrica de cannabis. A PF afirma que as passagens e a hospedagem foram pagas por Antunes.

Em depoimento à Polícia Federal, Roberta disse que recebeu pagamentos do lobista, mas negou ter repassado qualquer valor a Fábio Luís.

Investigação

A Polícia Federal pretende investigar se o filho do presidente atuou para tentar abrir portas do Ministério da Saúde ou do gabinete da Presidência da República para Antônio Camilo Antunes.

No pedido enviado ao STF, a PF afirmou que vai apurar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência. A corporação, porém, disse que a investigação não tem relação com as fraudes nos descontos do INSS.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele já demonstrou não ter relação direta ou indireta com o INSS e que também não tem relação com os negócios de Roberta Luchsinger.

Os advogados também disseram que o pedido da PF ocorreu porque não foram encontradas irregularidades envolvendo Fábio Luís nas fraudes do INSS.

Lula diz que filho não vai se esconder caso seja julgado: ‘Não haverá nenhum privilégio’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (30) que caso o filho, Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, seja investigado, ele responderá “como filho de qualquer pessoa” e que ele “não vai ficar escondido”.

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato”.

“Ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso, ele jura todo dia. Se for julgado ele virá para cá, não vai ficar escondido não. Vai ter que provar que é inocente. E se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, disse Lula.

As declarações foram dadas durante uma entrevista para o podcast Inteligência Ltda.

Nesta quinta, o ministro Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar Lulinha para apurar se o filho do presidente praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao atuar para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negócios com o Ministério da Saúde.

Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da PF na Operação Sem Desconto.

A PF suspeita que Lulinha e o Careca tenham tido negócios na área de cannabis medicinal. Como o g1 noticiou em janeiro, o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não foi fechado.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, afirmou considerar que a PF pediu esse novo inquérito, sobre atuação na área da saúde, porque não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo o filho do presidente na investigação das fraudes do INSS.

Fonte: g1

 

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