Os professores João Luiz Martins e Luana Renostro Heinen oficializaram o lançamento da chapa “Conhecer é Transformar” para a reitoria da UFSC, com mandato proposto para 2026-2030. Concorrendo com o número 63, a candidatura se apresenta como um projeto de reorganização estratégica da universidade, com foco em responsabilidade institucional, excelência acadêmica e participação democrática com equidade. O primeiro turno da consulta está previsto para 1º de abril. O período de campanha vai de 4 a 31 de março. O resultado da consulta será enviado ao Conselho Universitário (CUn) até 17 de abril.
O projeto UFSC 2030 parte de um compromisso com a universidade pública, gratuita, estatal, inclusiva e socialmente referenciada. Para a chapa, a universidade precisa ir além da gestão de rotinas e assumir protagonismo científico, político e social, articulando produção de conhecimento com as demandas populares e os desafios estruturais do país.
Apontado como um dos principais desafios da próxima gestão, o déficit orçamentário é tratado pela chapa como um problema superável, desde que enfrentado com liderança firme, articulação política consistente e experiência em gestão pública. Com experiência de duas gestões à frente da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na presidência da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e na direção da UFSC Campus Blumenau, João Luiz defende uma atuação estratégica junto ao governo federal, além do fortalecimento da captação de recursos por meio de projetos acadêmicos. “Com planejamento, protagonismo em Brasília e valorização de docentes e pesquisadores, é possível iniciar a superação da crise já no primeiro ano de gestão”, afirma.
Entre as diretrizes apresentadas estão a desburocratização e a eficiência administrativa, maior integração entre ensino, pesquisa e extensão, o estímulo à interdisciplinaridade e o fortalecimento de redes acadêmicas, com atenção especial à internacionalização. O programa também prevê mecanismos para ampliar a equidade na permanência, no acesso a bolsas, financiamento e reconhecimento acadêmico, além da atualização de normativas e do aprimoramento da governança da pesquisa. A defesa é de uma ciência que preserve a excelência, mas que reafirme seu compromisso social e produza impacto concreto na formulação de políticas públicas e no desenvolvimento sustentável. O caderno-programa da chapa “Conhecer é Transformar” pode ser acessado neste link.
Conexão com a comunidade
João Luiz e Luana defendem que a universidade deve estar integrada ao contexto territorial e ligada às questões das cidades onde cada um de seus campi está localizado, a fim de que a pesquisa e a extensão possam promover uma interação transformadora com a sociedade. Nesse contexto, deve-se estabelecer como um espaço de ciência, arte, cultura e esporte para a comunidade, promovendo um convívio seguro, saudável, diverso e plural.
“A extensão universitária tem potencial para impactar de forma significativa a sociedade. Por meio de projetos-piloto e da experimentação de modelos, é possível, em diálogo com o poder público, testar e aprimorar políticas públicas. Essas soluções, desenvolvidas por pesquisadores extensionistas em conjunto com estudantes, com a universidade e com a sociedade, podem resultar em políticas públicas de grande impacto social”, explica Luana, que foi secretária de Aperfeiçoamento Institucional da UFSC e é membro do Instituto de Memória e Direitos Humanos da universidade.
No campo institucional, o programa destaca o enfrentamento sistemático ao autoritarismo, à violência de gênero, ao racismo, ao capacitismo e a todas as formas de discriminação, articulando essa agenda à promoção de saúde física e mental na comunidade universitária.
Trajetória na gestão universitária
Professor titular do Departamento de Matemática do Campus Blumenau da UFSC desde 2014, João Luiz Martins tem ampla experiência em gestão universitária. Foi reitor da UFOP por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2013, período marcado por expansão institucional e consolidação acadêmica.
Entre 2011 e 2012, foi presidente da Andifes, instância que reúne os reitores das universidades federais e atua na interlocução com o Ministério da Educação e o Congresso Nacional. Na UFSC, dirigiu o Campus Blumenau entre 2016 e 2022 e, mais recentemente, ocupou a função de diretor do Gabinete da Reitoria (2022-2025).
Renovação e articulação institucional
Professora adjunta III do Departamento de Direito do Centro de Ciências Jurídicas, Luana Renostro Heinen é uma das jovens lideranças docentes da UFSC. Reconhecida por sua atuação nas áreas de direitos humanos e teoria crítica, integra o Instituto de Memória e Direitos Humanos da UFSC (IMDH/UFSC).
Coordena o SOCIODIR – Núcleo de Estudos em Sociologia e Direito – e o LITERAR, grupo de estudos em Direito e Literatura. Dirigiu entre 2022 e 2025 a Secretaria de Aperfeiçoamento Institucional da UFSC, onde atuou na interlocução com órgãos de controle e no aprimoramento de políticas e processos administrativos, com foco na elaboração de políticas de combate às violências e opressões.



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