Candidato à reeleição, o deputado federal Ismael dos Santos (PSD) passou por uma saia-justa no último domingo, ao participar do ato político “Acorda Brasil” em Blumenau. Ao discursar em cima do caminhão de som, foi vaiado pelas cerca de 300 pessoas presentes.
O fato gerou dúvidas se Ismael permaneceria no PSD para disputar a eleição, ele que recebeu convites do PL, através do governador Jorginho Mello, presidente estadual do 22. Alguns entendem que ele estaria desgastado com o eleitorado mais bolsonarista no seu segmento, o evangélico, e que a saída seria filiar-se ao partido do ex-presidente. Outra avaliação é a concorrência com outra representante de peso do segmento religioso, a também deputada federal Geovânia de Sá, que filiou-se ao Republicanos, partido satélite do PL em Santa Catarina.
O Informe conversou com o deputado e ele disse que não sairá do PSD. Afirmou que duas situações fariam ele trocar de sigla e essas situações não irão acontecer.
A primeira seria uma aproximação eleitoral com o projeto de reeleição do presidente Lula, o que já foi descartado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. A outra seria o PSD catarinense não ter legenda competitiva para a Câmara dos Deputados, mas ele disse ter conversado com as lideranças da sigla no estado, que sinalizam os nomes do presidente da Assembleia, Júlio Garcia – já confirmado – e do ex-governador Raimundo Colombo na nominata, entre outros.
“Podemos fazer dois, até três na sobra”, estima Ismael dos Santos.
Ele disse ainda ter pelo menos dez dobradinhas com pré-candidatos a deputados estaduais, entre eles Napoleão Bernardes (PSD) e Marcos da Rosa (PL), no segmento religioso. Caso a vereadora Silmara Miguel (PSD) saia candidata, também deve ter uma dobradinha.
Sobre as vaias de domingo passado, reconhece que foi um erro de avaliação política ter comparecido, mas destaca a baixa presença de público. Disse ter atendido a um convite do pastor Dirlei Paiz (PL), organizador do ato, e que não sabia da presença da deputada Júlia Zanatta (PL).
“Se soubesse, não teria ido”, disse Ismael, que reclamou do que considerou uma deselegância da colega, que falou logo depois dele, sem citá-lo e ainda colocando mais combustível no ânimo dos manifestantes.
O deputado Ismael dos Santos faz um mandato coerente com sua postura política. Apesar de ser uma das principais lideranças políticas do segmento evangélico catarinense, usa pouco o discurso religioso na política. É oposição ao Governo Federal, mas vota a favor de projetos do Executivo que entende serem importantes para a população, gerando desgastes junto ao seu eleitorado mais ligado ao bolsonarismo.
Perderá votos em sua base, mas há uma aposta de que aumentará no eleitorado mais centrado.



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