Eles ironizam o índice que aparece nas pesquisas eleitorais, cerca de 3%. E argumentam com a visibilidade alcançada nos eventos de rua. O último foi um tour pela região Sul, que chegou a Blumenau neste domingo. Mais uma vez com um público que chama a atenção.
Estamos falando do Partido Missão, que tem Renan dos Santos como candidato a presidente, que reuniu muitos simpatizantes nas proximidades da Vila Germânica. A grande maioria é jovem.
Sem estrutura partidária, cargos comissionados e recursos financeiros, conseguem atrair um eleitorado cansado de Lula (PT) ou Bolsonaro (PL), sem ver nos demais candidatos alternativas que lhe seduzam.
Com um discurso direto, contundente e sem muito compromisso com o factível, Renan dos Santos fala o que muitos querem ouvir, em especial o público jovem. Ele e os demais integrantes do Missão usam e abusam de linguajar chulo e propostas populistas.
A Missão tem origem no MBL, movimento que foi parte importante para a realização das grandes manifestações populares contra corrupção que tomaram conta do país entre 2013 e 2016. Sem uma liderança forte, então, acabou pavimentando o caminho para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e ajudou a construir os alicerces do bolsonarismo que tanto criticam agora.
Identificam-se como de “direita”, mas o adversário maior nesta eleição é Flavio Bolsonaro (PL), por conta do problema que uma eventual vitória do PL possa representar ao projeto político do Missão. Com o bolsonarismo derrotado nas urnas pela segunda vez, abre-se uma oportunidade, e é nela que o Missão e Renan Santos estão de olho para o futuro pós-eleição.
Pode ser uma análise exagerada do informe. Pode ser. Mas, em 2015, Jair Bolsonaro era um político medíocre e caricato que poucos viam potencial eleitoral, mas levava muitas pessoas às ruas. Virou presidente da República.




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