Análise | O pequeno público do “Acorda Brasil” em Blumenau

Foto: Divulgação

Cerca de 300 pessoas estiveram em frente à Prefeitura de Blumenau na manhã deste domingo, para o ato político chamado Acorda Brasil, que acontece em várias cidades brasileiras.  Entre os presentes, políticos, assessores e gente da cidade.

O Informe Blumenau acompanhou o ato por cerca de meia hora, ouvindo os discursos de lideranças importantes. Estavam lá os deputados federais Júlia Zanatta (PL) e Ismael dos Santos (PSD), os vereadores de Blumenau Flávio Linhares (PL), Sillmara Miguel (PSD) e Aíltos de Souza, o Ito (PL), presidente da Câmara Municipal. Vereadores de outras cidades estiveram presentes também.

O Pastor Dirlei Paiz (PL) também se manifestou, ele que foi um dos organizadores, como era das manifestações em frente ao 23 BI, ao final da eleição de 2022.

É possível que não tenhamos visto algumas lideranças, mas essas conseguimos ver e, a maioria, ouvir os discursos em cima do caminhão de som.

A proposta era clara. “Fora Lula, Fora Morais, Fora Toffoli”. Com direito ao “pixuleco”, boneco inflável do Lula preso, as manifestações foram nesta linha, com argumentos questionáveis.

“Tirar a esquerda do poder, o Brasil já vive um socialismo, querem colocar a ideologia de gênero nas escolas” e outras aberrações que pouco se sustentam na realidade foram faladas mais de uma vez, sempre na lógica “Deus, Pátria, Família”.

Mas o pano de fundo era o mesmo. Anistia para os presos de 8 de janeiro de 2023 e a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado. E o segundo pano de fundo é a construção da narrativa que vai embalar a eleição e candidaturas dos envolvidos, pois a maioria das pessoas que discursaram será candidata nesta eleição ou estará atuando como cabo eleitoral para alguém.

A deputada federal Júlia Zanatta foi a mais ovacionada, disparado. Disse que o “feminicídio aumentou com o Governo Lula, este pessoal odeia mulheres e mães”, alimentando a sua bolha eleitoral, que diga-se de passagem, deve aumentar nesta eleição.

“Santa Catarina já acordou. Está na hora do país seguir o nosso exemplo e acordar também”, afirmou.

Quem passou por uma saia justa foi o também deputado federal Ismael dos Santos, bastante vaiado. Muitos manifestantes lembraram que ele vota, em alguns projetos pontuais, de acordo com o Governo Federal, o que incomoda, pelo simples fato de votar junto com o PT, sem levar em conta o mérito da proposta.

Blumenau foi vitrine quando aconteceram as manifestações pró-impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, chegando a dar uma estimativa de público de 50, 60 mil pessoas. Lá havia um sentimento de indignação pela corrupção e um entendimento de que o país precisava ser colocado a limpo.

13/03/2016. Foto: Fabrício Theophilo / Informe Blumenau

Deu no que deu. Veio Temer, veio Bolsonaro, e a política nada mudou. A percepção de que um “salvador”, que se sustentava só na retórica e narrativas falsas, caiu por terra quatro anos depois com a não reeleição de Jair Bolsonaro.

Em 2026, Blumenau segue sendo uma cidade refratária às ideias e projetos que o PT defende, em sua grande maioria. Muito provavelmente vai expressar este sentimento nas urnas em outubro de 2026.

Por outro lado, o blumenauense médio entende o que aconteceu nos últimos anos, incluindo as gestões Bolsonaro e Lula, que não servem para serem “mitos” e têm gestões questionadas em diversos aspectos.  E sabe que o tal ato Acorda Brasil tem uma conotação pré-eleitoral. Apesar de ser um evento, em tese, supra-partidário, tem lideranças do PL puxando o ato.

 

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