A despedida de Dalírio Beber do Senado

Foto: Senado

O cacique tucano sempre teve uma grande capacidade de liderança e articulação. Mesmo com a grande influência política-partidária, era ruim de voto.

Em 2015 caiu no seu colo a vaga de senador, suplente que era, com a morte do amigo Luis Henrique da Silveira (MDB).

Entrega o mandato, três anos e meio depois.

E é preciso dizer, a despeito do senso comum, Foi um senador muito importante para Blumenau e para o Vale do Itajaí no período que esteve lá.

Ele publicou um balanço de sua atuação, que compartilhamos abaixo, na íntegra.

“Ao encerrar, em 31 de janeiro de 2019, o mandato de Senador da República, teço algumas rápidas considerações a respeito do período vivido no Senado Federal.

Foi um tempo curto, em que pese o mandato de Senador ser de oito anos, pois foram apenas três anos e meio, uma vez que o mandato fora exercido pelo grande, admirado e respeitado político de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, de primeiro de fevereiro de 2011 até sua prematura morte, em 10 de maio de 2015.

Assumi o Senado Federal em 19 de maio de 2015 com a responsabilidade de representar o Estado de Santa Catarina, dando continuidade ao mandado exercido até então, com inigualável propriedade e brilhantismo, por Luiz Henrique. Prometi guardar a Constituição Federal e as leis do país, desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador e sustentar a União, a integridade e a independência do Brasil. Prometi honrar os catarinenses e os brasileiros, trabalhando para, através do Legislativo, mudar pra melhor a vida do cidadão, e não esquecendo os valores éticos que sempre regeram minha trajetória pessoal e de homem público.

Durante estes quase quatro anos, defendi com afinco a causa municipalista, afinal é das cidades, onde se vive, que saem as principais demandas. Apesar do trabalho intenso neste sentido, os recursos continuam centralizados em Brasília, e a burocracia e a ausência de um Pacto Federativo, em que se reavalie o grau de serviços e responsabilidades de cada ente, impedem o desenvolvimento e independência dos mais de 5.500 municípios brasileiros.

Como se constata que ao longo dos trinta anos da atual Constituição,essa concentração da arrecadação tornou a gestão municipal incapaz de fazer frente a todas demandas, pois parte considerável de sua receita, muito acima do determinado na Carta Magna, é investido em saúde, resultado da assunção de maiores obrigações impostas pela União.

Por isso, como Coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, de março de 2016 a março de 2017, procurei dedicar-me ao máximo para permitir que todas as demandas, eleitas como de interesse do Estado de Santa Catarina e dos catarinenses, fossem ponto de atração e convergência de todos, e nisso, tenho o dever de afirmar que todos atuaram de forma elevada, deixando de lado posições político/partidárias, ou mesmo disputas locais.

Graças a atuação do Fórum Parlamentar Catarinense o Governo Federal, entendendo o clamor dos administradores municipais e dos respectivos gestores de saúde, passou a admitir que as emendas parlamentares, coletivas e individuais, pudessem atender ao custeio de ações e serviços de saúde. Com isso, foi possível angariar para o sistema de saúde de SC – Estado e municípios, mais de 500 milhões de reais neste curto período.

O ano de 2016 foi particularmente difícil, penoso para a democracia e sofrido grande parte da sociedade brasileira. O processo de afastamento da Presidente da República é sempre traumático, mas necessário quando existe o cometimento de crime de responsabilidade, e, sobretudo, no caso, o caos econômico que levou o Brasil à sua maior e mais profunda crise, desempregando mais de 13 milhões de brasileiros. Ultrapassado o processo de afastamento da Presidente, assume o vice com a responsabilidade de iniciar o processo de reerguimento do Brasil. Para isto, posicionei-me favorável a todos os projetos de iniciativa do executivo que buscavam o controle e equilíbrio fiscal da União. Foi assim com a aprovação da lei que criou o teto do gasto público, da reforma trabalhista e tantas outras.

Em 2018, ao ser escolhido para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO de 2019, vivi um momento de grande importância para o futuro do Brasil, pois tive a oportunidade de atuar, forte e claramente, no sentido de orientar a elaboração da proposta orçamentária do ano seguinte, portanto a ser executada pelo novo governo que seria eleito em outubro de 2018.

A discussão de todos os temas relacionados à questão fiscal do Governo Federal buscou organizar o diagnóstico da situação atual, com a projeção do agravamento do déficit fiscal no curto prazo, inviabilizando a administração pública por completo, se nada fosse feito. Reconhecida a situação e acerto das recomendações, o relatório da LDO de 2019, foi aprovado pela Comissão Mista de Orçamento e pelo plenário do Congresso Nacional. Apontou vários caminhos que se seguidos pelo Governo Federal trariam de volta o equilíbrio fiscal desejado e necessário para o bem do Brasil. É chegada a hora de se deixar de lado a prática da hipocrisia e a demagogia que orbitam, por vezes, o homem público, para enfrentar com seriedade e transparência esses graves obstáculos, que impedem o país de vencer o caos econômico e social. É preciso com coragem e determinação aprovar as reformas estruturantes, a começar pela da Previdência e seguida pela demais, tão necessárias quanto, para se poder passar a se viver no Brasil com segurança e justiça social.

Foi um período de muito trabalho, principalmente, mas também de grande aprendizado.
A partir de agora, não sou mais Senador pelo estado de Santa Catarina, mas vou continuar lutando para que se possa de verdade, acreditar num estado onde se pratique, tanto no governo, quanto na sociedade, Justiça Social.
O desafio é enorme para quem fica, pra quem foi escolhido pelo povo nessa eleição histórica, que renovou o Congresso. As mudanças são inadiáveis para resgatar a credibilidade da classe política, fortalecer a democracia e reverter a crise generalizada instalada no país, e principalmente, para devolver a esperança ao povo brasileiro.

Agradeço aos que me auxiliaram diretamente fazendo parte da equipe de apoio no gabinete em Brasília e Santa Catarina e a todos que estiveram ao meu lado, trabalhando direta ou indiretamente, para uma Santa Catarina e um Brasil melhor.

Muito obrigado a todos”

3 Comentário

  1. O papel aceita tudo!

    Em assim sendo, eu, Alcino Carrancho, Profeta Sorridente, Ético e Sábio lhes informo que nunca estive envolvido com a Odebrecht aqui em Blumenau quanto à questão da implantação da rede de esgoto.

    Não estou sendo investigado pela Polícia Federal quanto à questão que envolve fraudes no Ministério do Trabalho investigadas na Operação Registro Espúrio.

    Nunca dei maus conselhos ao napoleãozinho bernardeszinho netozinho e, sendo assim, não induzi o inocentinho a se candidatar a “Governador do Vale do Itajaí” ou lá o que quer que isso signifique…

    Nunca fui motivo de o falecido Mário Covas se revolver no túmulo ao me auto intitular de ético em comparação acintosa.

    O papel aceita TUDO!

    Alcino Carrancho,
    El Defenestrador Implacable

  2. Alcino Carrancho, Aquele que promoveria a união, a integridade e a independência do Brasil. disse:

    O que será que quis dizer com: “…sustentar a União (sic)…”?

    Ai, meu rico português…

    Alcino Carrancho,
    Aquele que promoveria a união, a integridade e a independência do Brasil.

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