Opinião | Dois errados não fazem um certo: como o idolatrado STF virou um puxadinho da política e colocou o Brasil na corda bamba

Foto: Gustavo Moreno/STF/Reprodução

No meio desse tiroteio institucional, o eleitor virou um verdadeiro refém. Preso entre decisões controversas e narrativas apaixonadas, o cidadão precisa acender o sinal de alerta máximo e parar de votar no escuro. É urgente pesquisar a fundo, checar o histórico e saber exatamente quem são os candidatos que disputarão o seu voto, pois são as escolhas no da urna que abastecem o sistema e definem as regras do jogo.

Afinal, a regra básica que toda mãe ensina na infância parece ter sido esquecida na praça dos Três Poderes: dois errados jamais farão um certo. Quando uma Suprema Corte perde a postura de árbitro discreto e decide vestir a camisa do jogo, o resultado não é justiça — é espetáculo. E do pior tipo.

O perigo de ter um STF profundamente politizado não é um debate teórico para juristas de gabinete; é uma ameaça real que bate à porta de qualquer cidadão. Quando a lei deixa de ser a referência fixa e passa a sabor do cliente da vez, a segurança jurídica vira fumaça. Uma hora o ministro é o “herói da nação” que combate o vilão da vez; na hora seguinte, quando o escândalo estoura do outro lado do espectro, o mesmo magistrado vira o “traidor da pátria”.

Essa montanha-russa de idolatria e ódio escancara a falência do nosso debate público. Transformamos juízes em astros de rock e salvadores da pátria, esquecendo que o papel da magistratura é justamente o oposto do aplauso: é a neutralidade fria e a observância cega da Constituição. Quando o Judiciário atropela ritos para combater excessos alheios, ele não está corrigindo o rumo das coisas, está apenas alimentando o mesmo incêndio que promete apagar.

Errar de um lado para tentar compensar o erro do outro não gera equilíbrio, gera caos. Enquanto o país se divide em torcidas organizadas para aplaudir ou vaiar a toga do dia, quem continua pagando a conta de uma democracia fragilizada e instável somos todos nós. O Brasil não precisa de juízes de estimação nem de vingadores de toga; precisa, urgentemente, de regras que voltem a valer para todos.

Marco Antônio André, advogado e ativista de Direitos Humanos

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