A Operação “Pão e Circo” do Gaeco, deflagrada em 18 cidades catarinenses e uma gaúcha nesta terça-feira, 7, dominou a pauta da Câmara de Indaial na noite de ontem. Tudo porque o vereador Duda Cunha (MDB) foi um dos alvos, por conta de suas atividades empresariais; ele que é dono de uma empresa de realização de eventos e shows.
A operação da Força-Tarefa do Ministério Público apura a existência de um cartel formado por empresários do setor de eventos que, ao longo dos anos, estruturaram e colocaram em prática um esquema de fraude em licitações para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional. Além das fraudes, empresários e agentes públicos recorriam ao pagamento e ao recebimento de propina para viabilizar o esquema e à lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades.
Os vereadores Flávio Molinari (PSD) e Diogo de Pinho (PSD) solicitaram o afastamento do colega por conta das denúncias, pedido não acatado pelo presidente da casa, Valentin Blausius (PSD), que entendeu que era necessário aguardar o avanço dos trâmites das investigações para que o Legislativo tomasse alguma decisão.
Dudu Cunha foi o primeiro vereador a se manifestar na tribuna, no momento das falas. Antes de falar da operação, disse que teria que vir a público para rebater “insinuações”, fazendo questão de lembrar de seu histórico como empresário do setor de eventos já há muitos anos. “Atividade transparente e dentro da legalidade”, afirmou.
Confirmou que foi alvo de mandado de busca e apreensão, por conta da investigação que envolve prefeituras, reclamando dos interesses “politiqueiros”. “Não existe processo contra a minha empresa, nem contra mim”, afirmou.
Diogo Pinho leu notícias veiculadas na imprensa sobre o caso. “Não sou eu que estou falando.” E fez questão de destacar que Dudu Cunha sempre fez pesadas críticas contra a administração municipal. Defendeu o trabalho do colega e pediu ao colega para que ele se afastasse, pedido reiterado junto ao presidente. “Não podemos admitir passar pano”, frisou.
Flávio Molinari foi na mesma linha. “Indaial foi para a mídia nacional; me assusta o silêncio de colegas e desta casa”, pedindo ao presidente que abra um processo contra o parlamentar, que é também presidente do MDB municipal. “O GAECO não bate na casa de ninguém para pedir esclarecimentos”, seguiu, lembrando a postura de Dudu Cunha em outros casos envolvendo a administração municipal.
Dudu Cunha retomou a palavra depois da fala dos dois colegas, atribuindo as manifestações como “politicagem”, garantindo que não fez nada errado. Elaine Pickler (PSDB) e Lúcio Vanderline (Novo) saíram em defesa do vereador do MDB.
“Nós não temos acesso aos documentos, não fomos notificados, porque a Câmara tem que se meter na questão e fazer uma acusação”, manifestou-se o presidente Valentin Blausius, prestando solidariedade a Dudu Cunha.
É fato. Dudu Cunha foi alvo de mandado de busca e apreensão na recente operação do GAECO, mas ainda não há processo contra ele, e sim uma investigação.
Outro fato é a questão política. O grupo no entorno do emedebista é oposição há pelo menos três gestões, numa disputa beligerante. E este ano é eleitoral.


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