Jorginho Mello, a CPI e o constrangimento em defender o indefensável

Foto: Roberto Zacarias / SecomGOVSC

Aliado de primeira hora do bolsonarismo, candidato à reeleição em um dos estados mais adeptos das ideias bolsonaristas, o governador Jorginho Mello, também presidente do PL catarinense, tem a difícil missão de justificar o injustificável quando a pergunta é sobre as implicações do presidenciável do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, com Daniel Vorcaro e o malfadado Banco Master.

“Quero a CPI, a CPI que o PT não quer”, é o que Jorginho Mello diz para os repórteres que insistem em tirar dele uma resposta mais consistente.

Foi assim em Blumenau, há duas semanas, logo depois de as primeiras informações virem à tona sobre as relações perigosas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, e prosseguiram nos últimos dias, mesmo com mais evidências da aproximação indecente entre um presidenciável e um banqueiro responsável pelo maior escândalo financeiro da história do país.

A estratégia de Jorginho e do PL nacional é tentar atribuir ao seu principal adversário responsabilidade sobre o caso Master, insinuando que o PT não tem interesse na investigação.

É provável. Nem o PT, nem o PL, muito menos partidos do Centrão têm interesse numa investigação desta em ano eleitoral, na verdade, em ano nenhum.

Mas não é verdade que o PT está barrando a CPI. Quem está sentando em cima é o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, do União Brasil do Pará, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba. Há um receio grande destas duas lideranças de que as investigações cheguem a eles ou aliados próximos, como já chegaram a alguns, entre eles, o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL).

Cabe a eles colocar em pauta os seis requerimentos com pedido de investigação protocolados na Câmara dos Deputados e Senado, com as assinaturas necessárias determinadas pelo regimento.  Um dos pedidos está na Câmara, três no Senado e dois no Congresso, de CPMIs mistas, com representantes da Câmara e Senado.

A origem destes requerimentos varia. A da Câmara é de um deputado do PSB, as três do Senado têm autoria de senadores do Novo, PSD e PT, e as CPMIs são de autoria de um parlamentar do PL e outra assinada conjuntamente por deputadas do PSOL e Rede. E tem mais um pedido de CPMI, em fase de coleta de assinaturas, do líder do PT, Lindbergh Farias.

Ou seja, há aliados do governo Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Então, se a investigação não avança, é porque não há interesse coletivo, pelo menos neste momento.

Então, a fala do governador Jorginho Mello é uma defesa constrangida de um aliado que entregou uma posição na majoritária ao Senado para Carlos Bolsonaro e uma das vagas na nominata para deputados federais para Jair Renan Bolsonaro.

Quem quiser entender mais sobre os pedidos de CPIs sobre este assunto, sugerimos a leitura de um material do G1, apropriadamente chamado de “Pressão por CPI do Master vira guerra de narrativas no Congresso”.

 

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