Opinião | O Arco da Prosperidade

Imagem: reprodução

Existe um Brasil cuja dinâmica de desenvolvimento tem passado ao largo das preocupações da grande imprensa nacional, mesmo quando se trata de assuntos econômicos. Ao tempo em que o País está preocupado com os problemas da política, da economia e da segurança, uma parte do mapa brasileiro peregrina no caminho da prosperidade. Do sul ao centro-oeste, pegando a ponta nordeste do sudeste, há um arco que passa por cima do tradicional eixo Rio-São Paulo. São estados cujos índices de desenvolvimento mostram o empreendedorismo enraizado e um futuro promissor – mesmo que uns não queiram. 

A estatística ajuda a fortalecer o prognóstico: baixas taxas de desemprego, renda média crescente, desenvolvimento humano, desigualdade em queda, PIB per capita em alta, boa gestão pública, aumento da arrecadação própria, segurança pública, startups em TI e atração de migrantes em busca de oportunidades melhores e de uma vida mais estável e menos violenta. É um movimento silencioso, mas consistente, gerando expectativas de um novo eixo do desenvolvimento, apontando para a possibilidade de que alguns estados brasileiros venham a ser os mais prósperos e desenvolvidos até a metade do século. 

Estamos falando de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Espírito Santo. Não se trata apenas de economia, mas de cultura. Nessas regiões, cooperação, eficiência pública, educação técnica e ética do trabalho geram produtividade e independência da União. São fatores conectados com o século XXI, o que deveria ser óbvio a todos. Mas, enquanto parte do país esbarra nos muros da estagnação, estes estados constroem soluções — e o fazem com o pragmatismo de quem entendeu que o futuro pertence a quem não espera que Deus ajude, usa o livre arbítrio. 

Uma observação mais ou menos aleatória, considerando onze indicadores, sugere a minha hipótese:

  1. Competitividade (Ranking do CLP); 2) Taxa de desemprego; 3) Índice GINI; 4) IDH; 5) percentual de municípios autossustentáveis; 6) estados receptores de imigrantes; 7) número de startups de TI, 8) capital humano, 9) eficiência da máquina pública, 10) renda per capita e 11) taxas de homicídios. 

Nesses indicadores, SC, PR, RS, MS, MT, GO e ES – e somente estes estados – aparecem nas dez primeiras colocações em todos os indicadores. Somente no último quesito, ES, MS e MT ainda dividem a décima colocação com mais três estados, mas demonstram melhoria a cada ano. Uma vez que segurança pública se tornou prioridade nacional – a ponto de liderar a pauta eleitoral das eleições de 2026 – os governos mais eficientes têm demonstrado empenho redobrado em relação a este indicador. 

Este estudo está em curso e deverá ainda ser testado com mais indicadores. A escolha dos índices foi arbitrariamente feita por mim, mas não é simplesmente aleatória. É que vinculo todos estes dados a uma condição básica: indicam prosperidade e maior grau de desenvolvimento. Como estes estados têm demonstrado crescentes resultados nos últimos cerca de dez a doze anos, isso demonstra certa consistência. 

Se a hipótese do Arco da Prosperidade se confirmar, estaremos diante de uma das transformações mais relevantes da geoeconomia brasileira. Não apenas por deslocar o eixo tradicional do desenvolvimento, mas por revelar que o progresso se desenrola onde há coerência entre valores culturais, gestão eficiente e capital humano.
Esses estados mostram que prosperidade não é obra do acaso nem da mão pesada do mito estatal: resulta de décadas de investimento em educação, instituições estáveis e ética do trabalho.

Tenho consciência de que muitos não concordam com tal raciocínio hipotético dedutivo. Em Santa Catarina, a sociedade percebeu seu diferencial e isso gerou uma onda de autoestima tornada pública. Muita gente sabida, de pensamento crítico, torce o nariz pra isso, desdenha, até nega, enquanto outros despejam preconceitos e ressentimentos, com a conivência velada dos sabidos. Mas, não adianta: desenvolvimento é questão de mentalidade e atitude que, ao longo da história, se materializa e a estatística atesta. Não é bom brigar com os números. E a caravela passa, enquanto os cães ladram.

Walter Marcos Knaesel Birkner, Sociólogo, autor de Sociologia produtiva: BNCC, desenvolvimento e interdisciplinaridade, Florianópolis, Arqué, 2024. Canal SC Think Tank no Youtube

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*