Reunião na próxima segunda definirá grupo de trabalho para realizar nova eleição do Conselho de Cultura de Blumenau

Está rendendo o debate sobre a eleição do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau, que era para ter acontecido no último sábado durante a conferência municipal e foi suspenso por suspeitas de irregularidades. De um lado alguns representantes do segmento cultural, capitaneados pela ex-presidente Rosane Magaly Martins, do outro representantes do segmento evangélico e vereadores da bancada evangélica na Câmara.

Rosane Magaly, que é advogada, apresentou ainda na sexta-feira um requerimento formal para suspender a eleição, afirmando que candidatos e/ou delegados aptos para votar não morariam em Blumenau.

A suspensão da eleição, segundo o secretário de Cultura Rodrigo Ramos, não teria acontecido por este fato levantado por Rosane e sim pela percepção de que haveria a possibilidade de um mesmo delegado votar mais de uma vez, visto que pela primeira vez ela aconteceria de forma remota, por conta da pandemia. No sábado ainda Rodrigo anunciou a prorrogação do mandato dos atuais conselheiros por seis meses, o que gerou muitas críticas dos vereadores Jovino Cardoso (SD), Silmara Miguel (PSD) e Marcos da Rosa (DEM). Este último apresentou um requerimento pedindo informações sobre os motivos que levaram a suspensão do processo eletivo e a marcação de uma nova eleição o mais rápido possível.

E ela vai acontecer antes do anunciado originalmente. Rodrigo disse esta manhã que está marcada uma reunião entre a secretaria e representantes do Conselho para a próxima segunda-feira, quando será formando um grupo de trabalho, responsável por definir nova data e os critérios da votação, que deve ser presencial. Ele reafirmou que não cabe a secretaria e a ninguém questionar o credo de candidatos e delegados e que sanados os problemas detectados não há motivo para não realizar a votação.

Conversei com o presidente do Conselho Elton Gomes, que confirmou a informação da reunião e me contextualizou a situação.

Ele disse que o regimento interno nunca exigiu atestado de residência, pelo fato das eleições serem presenciais e boa parte das pessoas ligadas a Cultura de Blumenau se conhecerem. Falou que todos os candidatos inscritos são moradores de Blumenau e cumprem uma das duas exigências do edital, que é ter formação na área ou trabalho voltado para o segmento que iria disputar.

Disse que realmente houve um crescimento no número de votantes. Mais de 500 delegados estavam inscritos, número recorde, pois normalmente as eleições envolviam uma média de  150 a 250  votantes. 33 candidatos se inscreveram nos dez segmentos, sendo que pelo menos dez são identificados com a Igreja Evangélica, em especial, a Assembleia de Deus.

O Conselho Municipal de Cultura é responsável pela elaboração das diretrizes da política cultural da cidade. É isso que está em disputa, com a entrada de candidatos ligados a segmentos evangélicos, que buscam se contrapor ao que sempre esteve estabelecido no panorama cultural de Blumenau.

 

2 Comentário

  1. Com este aumento de delegados e em função dos vereadores ligados a igreja estarem incomodados, vamos ver quantos evangelicos serão eleitos .Eles não estão incomodados a toa , tem algo a mais .

  2. Concordo Rubens, que parece mesmo muito estranho toda essa movimentação repentina de grupos que não são conhecidos no meio artístico profissional da cidade. Mas estou de acordo com manifestações diversas. Pluralidade e direto de liberdade de expressão a todes! Me entristeceu muito ouvir pronunciamentos de vereadores e deputado que nem sequer conhecem o sistema de cultura e exigem providências de um presidente de uma fundação cultural, quando na verdade, contamos com a pessoa de um secretário de cultura, a frente de uma secretaria…

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