Quedas no varejo preocupam indústria têxtil

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No mês de abril, 24,9% das indústrias apresentaram volume excessivo de estoque. No comércio, o índice foi de 20%. Conforme estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, estes níveis são próximos de recordes históricos registrados em outros períodos de recessão. Entre as indústrias do setor têxtil, o índice de fabricantes com volume de produtos acima do normal, saltou de 11,2%, em março, para 47,6%, em abril. Foram consultadas 1.900 empresas da indústria e do comércio.

Para o Sintex – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário, os indicadores são preocupantes e não há sinalização para uma recuperação em breve. Segundo dados do Instituto de Estudos de Marketing Industrial (IEMI), 67% dos entrevistados em pesquisa recente não pretendem comprar roupas e calçados durante a crise da covid-19. Destes, 57% afirmaram que nada os motivaria a mudar de ideia.

“As pessoas estão consumindo menos e apenas o que é essencial para a sua sobrevivência hoje. Mesmo que os estoques baixem, as indústrias estão sem pedidos, porque o comércio tem estoque e também não está conseguindo vender. Se o varejo não vende, não compra da indústria, que não tem por que produzir. A consequência será diminuição dos postos de trabalho na indústria têxtil”, comenta o diretor-executivo do Sintex, Renato Valim.

Para enfrentar o período de dificuldades, a maioria das indústrias associadas ao Sintex, está aplicando todas as medidas legais autorizadas para o período de pandemia, como concessão de férias, adiantamento de feriados, realização de acordos coletivos para utilização da Medida Provisória 936, que prevê suspensão de contratos e redução de jornada e de salários. No entanto, o Sintex teme pelo prolongamento da recessão.

Essas medidas paliativas, conforme, explica Valim, irão se esgotar em breve. “A concessão de férias e o adiantamento de feriados já se esgotaram na maioria das indústrias e as alternativas propostas pela MP 936 logo irão também se encerrar. A suspensão de contratos, por exemplo, só pode ser feita por 60 dias e a redução de jornada e de salários, 90 dias”, alerta Valim.

Datas importantes

Outro agravante deste período de pandemia é que ele coincidiu com datas muito importantes para o varejo e o setor têxtil. A primeira é o Dia das Mães – considerada a segunda data mais importante para o comércio, perdendo apenas para o Natal -, e que neste ano teve vendas 41% menores do que em 2019, segundo dados do Boa Vista. O resultado é considerado o pior desde 2008, quando a maior queda havia sido de 4,6%.

Neste cenário de indefinição e incerteza, a indústria têxtil também perdeu o inverno deste ano, período importante para as vendas do setor produtivo catarinense. “Normalmente, os lojistas vendem bem neste período o que tem impacto na programação de compras de inverno e de outras coleções, mas, com tudo parado desde março, não houve vendas pro Dia das Mães e nem das coleções de inverno, sendo que Santa Catarina tem grande produção de edredons e outros itens de cama fortes para esta época”, ressalta Valim.

A consequência da crise deve ter saldo negativo. De acordo com o presidente do Sintex, José Altino Comper, estima que as indústrias de sua base precisarão reduzir em cerca de 10 mil os postos de trabalho.

O Sintex

Representando cerca de 4.900 empresas, que empregam diretamente aproximadamente 57 mil trabalhadores, o Sintex abrange 18 municípios em sua base territorial, no que é considerado o segundo pólo têxtil do Brasil.

Fonte: Presse Comunicação

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