Por um mundo de pequenas coisas – Maternidade

sabrina_100Coluna: MATERNIDADE

por SABRINA HOFFMANN
jornalista e mãe

 

sabrina_1– Mãe! Ô mããããe! Manhêêêêêêê! Vem aquiiiiiiii!

De um grito a outro são apenas cinco segundos. Alguns dirão que é impaciência, eu defendo que é a mais pura constatação de que para nossos filhos, somos essenciais. É a urgência da atenção, da ajuda, do afago. É o contorno do nosso cansaço diário, de um mundo caótico, com tanto político corrupto, música ruim e trânsito parado. A certeza de que as pequenas satisfações podem transformar o nosso dia e iluminar um céu cinzento. Exagero? Talvez.

Mas só a gente sabe o que é sentir o coração aquecido quando mesmo com tanto problema na cabeça, uma mãozinha minúscula se enrosca nos cabelos ou acaricia a bochecha. As pequenas coisas, definitivamente, são as que mais estimo.

É a risada despretensiosa resultante do “quero aquele bolo loiro!” ao apontar para um muffin de baunilha.

O prazer de ouvir “hoje você pode dormir comigo” ou o “linda!” como resposta ao “o que você vai ser quando crescer?”.

É ouvir um “eu te amo” ou um “brinca comigo?”.

É ser a bruxa má em toda encenação de conto de fadas e nem se importar mais com isso.

É segurar o riso, quando, em virtude do sinal fechado ouvir “amanhã eu dirijo e você vai na cadeirinha!”

Ter de lidar com a sinceridade, ao perguntar “você vai comer o pão que estou fazendo?” e ouvir “não, só o do mercado”.

Ou perceber o afeto do “secuidabeijoxau” no telefone.

E ouvir a bronca enquanto trabalha fora de hora (“você tá no escritório?! Não né, está em casa”).

Conhecer (e gostar) de vários desenhos infantis e relembrar as cantigas de roda que já haviam ficado no passado.

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Não me atreveria a dizer que só quem tem filhos experimenta o amor. Porque ele pode vir de diversas formas e seria pretensioso e cruel demais reduzir a vida e o destino de qualquer pessoa à tarefa de criar um filho. Porque essa decisão não pode ser pautada apenas nas frases de efeito ou nos momentos felizes. Tenho amigos próximos que não querem ter filhos e respeito essa decisão – muito mais depois que me tornei mãe.

sabrina_3Ter um filho é, de longe a coisa mais difícil que você pode fazer. E não estou falando de colocar uma criança no mundo, mas sim de assumir o papel da criação de um ser humano. De depositar a sua confiança na previsão de que o mundo poderá ser um lugar melhor para ele e ser otimista o suficiente para acreditar que a sua criação e o fato de tentar ser alguém melhor fará do seu filho o responsável por tornar o planeta mais humano.

Mas o fato é que você pode ter escalado o Everest, visitado todos os países do mundo e ter passado as últimas férias nas ilhas Maldivas. E tudo isso, claro, terá o seu brilho. Só que a felicidade, aquela sensação de que, mesmo se o mundo estiver caindo na sua cabeça, tudo ficará bem no fim, vem de muito menos. Ao escolher ter um filho e conviver com as pequenas alegrias e conquistas, a sua conta bancária com certeza estará mais vazia, já o seu coração…

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