Opinião | O futuro do trabalho começa na forma como educamos no presente

Imagem: reprodução

Celebrar o Dia da Educação é reconhecer que estamos diante de uma mudança estrutural no mundo do trabalho. A discussão costuma se concentrar nas tecnologias, mas o ponto central continua sendo como preparar pessoas para atuar em um cenário profissional cada vez mais complexo, incerto e em constante transformação.

A tecnologia acelera processos, redefine funções e cria novas possibilidades, mas não substitui competências humanas essenciais. Adaptabilidade, pensamento crítico, colaboração, empatia e liderança seguem sendo decisivos. Essa percepção não vem apenas das instituições de ensino, mas também das novas gerações que estão ingressando no mercado.

Uma pesquisa recente da Deloitte mostra que 74% da geração Z e 77% dos millennials acreditam que a inteligência artificial generativa impactará diretamente a maneira como trabalham já no próximo ano. Para se preparar, os jovens têm direcionado esforços para treinamento e desenvolvimento de habilidades que permitam atuar em conjunto com a tecnologia. Ao mesmo tempo, reconhecem que fortalecer soft skills, como empatia e liderança, tornou-se ainda mais importante nesse contexto.

Os dados indicam que o futuro do trabalho não será definido apenas pela adoção de novas ferramentas, mas pela capacidade humana de usá-las com sentido, responsabilidade e visão crítica. E é exatamente aí que a educação superior assume um papel estratégico.

Formar para o futuro não significa apenas atualizar currículos ou inserir disciplinas tecnológicas. Significa repensar a forma de ensinar e aprender, aproximando a vida acadêmica da realidade profissional, estimulando a resolução de problemas reais e criando espaços onde teoria e prática caminhem juntas desde o início da formação.

Além de um currículo atualizado, garantir parcerias com empresas permite que estudantes vivenciem desafios concretos do mercado, convivam com profissionais da área e compreendam, na prática, como o conhecimento se transforma em solução. Esse tipo de experiência contribui para a construção de repertório, autonomia e capacidade de aprender continuamente.

O debate sobre educação precisa avançar nesse sentido. Não se trata de escolher entre tecnologia ou humanização, mas de compreender que uma depende da outra. A inteligência artificial pode ampliar possibilidades, mas são as pessoas que dão direção, significado e impacto ao que é criado.

Preparar para o futuro do trabalho, portanto, não é uma tarefa tecnológica. É, sobretudo, um compromisso educacional com as pessoas, com sua capacidade de se adaptar, colaborar, liderar e transformar. Esse é o desafio que se impõe à educação hoje. E é nele que precisamos concentrar nossos esforços.

Cinthia Tamara, reitora da UniSociesc

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