Opinião: Brasil e os moinhos de vento

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“É um carnaval onde tudo se confunde; quem pensa ganhar é amiúde quem perde”. A história, em incertos momentos, turva o raciocínio temporal. Podemos trocar os personagens, alterar os locais das passagens. Quem sabe acrescentar ou retirar alguns detalhes. Não importa: no fim parece que estamos em um loop, repetindo e repetindo a mesma cena… deprimente!

Na política, na economia, nas relações sociais, nos negócios ou na vida, a frase de Henri de Régnier, que abre este texto, surge com sentido e muita personalidade neste momento. O Brasil cidadão, como exemplo, montou em um cavalo branco, empunhando desejos partiu para lutar contra os moinhos, por cada vento de esperança que e a sorte trouxesse um tanto juízo neste caminho. Quase 200 anos depois, até aqui, nada encontrou.

“Vês ali, amigo, desaforados gigantes, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a todos as vidas; que esta é boa guerra, e bom serviço faz a Deus quem tira tão má raça da face da terra.
— Quais gigantes? — disse Sancho Pança”

Percorrendo Brasília, nos dias atuais, Miguel de Cervantes abandonaria os romances e poemas. Quixotesca é a realidade que enfrentamos, de lunáticos contra os mais imaginários inimigos. Seja qual for a guerra que travam em suas cabeças, a realidade se impõe: como sociedade, como país e irmãos de pátria já perdemos… a paz, a qualidade de vida, a prosperidade. Resta a esperança de virar a página e um capítulo, mais racional e humano, se apresentar.

A verdade é que perdemos um tempo enorme com bobagens, discussões sem propósito e o resultado é um retrocesso que paralisa. Uma criatividade mentirosa de dar inveja a ficção: o kit gay, a gripezinha, a máscara de boiola, vacina com chip, cloroquina, fura fila da vacina, lockdown sim e não, gasolina cara é culpa de governadores, judiciário que não deixa, o comunismo, e por ai vai.

Esta busca enlouquecida por um enredo que convém não favorece em nada. Levanta uma fumaça imensa que, apenas, reúne fanáticos contra moinhos de vento.

Como dizia Lévi-Strauss: “o Brasil vai sair da barbárie para a decadência, sem conhecer a civilização”.

 

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