Opinião | Batman e Aristóteles: uma possível comparação

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Batman 

Batman, o morcego, é um dos heróis mais antigos das histórias em quadrinhos mais lembrados. Tendo em vista que ele não é um super-herói comum, cujas características que o diferem de um herói é o fato de não possuir poderes sobre-humanos, ele diferencia-se do Superman, por exemplo, que possui sua superforça, além de voar.

Mesmo assim, Batman pertence ao grupo de super-heróis por ter potencializado suas qualidades por meio do estudo e da prática de artes marciais. Além disso, também é reconhecido por suas técnicas de detetive e vigilante noturno das ruas de Gotham City, onde o Playboy Bruce Wayne investiu seus recursos pessoais e financeiros para se tornar o combatente do crime e de políticos corruptos.

Após a perda de seus pais, mortos por bandidos da cidade, Bruce jura vingar suas mortes combatendo o mal local. Esse desejo de vingança se dá devido ao modo como seus pais foram assassinados, bem como ao próprio exemplo deixado por eles, que eram combatentes da pobreza que cerca as redondezas de Gotham.

Batman e a Ética Aristotélica

É na luta contra a criminalidade da cidade que Bruce encontra a forma de vingar a morte de seus pais, sendo que isso se concretiza no personagem do morcego Batman. Para Aristóteles, seria na polis que o homem se realizaria, podendo ser feito um paralelo político entre o filósofo e o personagem, pois é na luta contra a criminalidade que Batman se realiza plenamente contribuindo para a justiça e mantendo a ordem da cidade. Deste modo, o personagem possui o propósito de demonstrar a possibilidade de uma vida ética por meio do combate ao crime.

Assim, segundo a perspectiva Aristotélica, para realizar-se em sociedade é necessário que o personagem desenvolva e aprimore suas condutas e deliberações, fato que é verificado por Bruce ter treinado seu corpo e sua mente por longos anos,  de modo a atingir o máximo das habilidades que um ser humano é capaz de atingir (excelência).

Outro paralelo que se pode fazer com o pensador está no fato de que para Aristóteles os homens se tornam justos à medida que realizam atos dignos de justiça, como por exemplo, o carpinteiro se torna carpinteiro realizando atos dignos de um carpinteiro, nesse sentido a virtude é passível de ser aprendida ou aprimorada. 

Aristóteles também supõe que a razão e os desejos brigam entre si e que o homem justo é aquele que tem autocontrole e que age de acordo com a sua razão. Desta forma, Batman se põe como exemplo deste modelo de conduta, pois age sempre de acordo com o que manda a sua razão e não os seus apetites. Para isto, é necessário o treinamento da razão, bem como o de seu corpo, levando-o a agir moralmente e prudentemente, levando em consideração que, segundo Aristóteles, a virtude consiste mais em fazer o bem do que fazer bem. 

Entretanto, o ponto em que o personagem mais se aproxima da teoria aristotélica sobre a virtude consiste no fato de que Batman além de dedicar-se a justiça em sua cidade, é um ser humano corajoso na luta contra a criminalidade e a corrupção, haja visto que para Aristóteles a coragem é uma virtude que está entre (mediania/justo meio)  dois vícios: Covardia (ou medo)  e Temeridade (autoconfiança). Sendo que a covardia é um vício por falta de coragem, já a temeridade é um vicio por excesso de coragem.

Portanto, foi possível notar que o personagem Batman se aproxima da concepção de ética proposta por Aristóteles na medida que Bruce Wayne busca aprimorar suas qualidades enquanto ser humano, para então assumir o papel de justiceiro de Gotham, assemelhando-se nesse ponto a ideia do filósofo grego de que os cidadãos deveriam aprimorar-se visando a excelência. Além disso, também é possível fazer um paralelo entre as ações de Batman, que geralmente apresentam um senso de justiça, ao que propunha Aristóteles a respeito do conceito de virtude, caracterizada por ele como ações que são um justo meio entre dois extremos: a covardia e a temeridade.

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