Opinião: a paz do cemitério


Logo após os eventos políticos e institucionais de 2016 (estou fugindo da expressão golpe porque muitos ainda não o reconhecem como tal) pairava grande paz entre as instituições da República e outros enclaves. Semelhante a paz dos cemitérios. Alguns personagens inertes por incredulidade ou por estarem chocados sob a sensação de “déjà vu”, outros esfregando as mãos em gesto de satisfação e júbilo porque seus objetivos haviam sido alcançados. Havia ainda quem, eufórico, alardeasse um futuro róseo para a Nação e houve até quem propusesse uma tal “Ponte para o Futuro”.

A esquerda, apeada do poder, mostrava-se estupefata e exaurida, sem capacidade de resistência organizada permanecia na esperança de que “não há mal que sempre dure, nem “bem que nunca acabe”.

Mas, agora 2019, tudo indica que as instituições que agiram no grande conluio de 2016, mais aquelas que se omitiram (por uma ou outra razão), bem como os partidos, os ajuntamentos, as corporações, os grupelhos oportunistas e a mídia comprometida que estiveram todos juntos e misturados no objetivo de chegar ao poder, agora, hora do butim, partiram para o “farinha pouca o meu pirão primeiro”. E a brigalhada agora é ampla e irrestrita, da galera, às arquibancadas e até nos camarotes exclusivos. Os “marinheiros” de primeira viagem e até aqueles com muitos anos de malandragem descobriram que “mar calmo nunca fez bom marinheiro”. A calmaria acabou e a paz do cemitério foi substituída por arrulhos, bicadas e esporeadas típicas de um galinheiro.

No centro desse imbróglio, O Messias ou o ungido que fora como “Mito”, deve se perguntar aos seus botões: “o que foi que fiz? Tão bons eram aqueles 28 anos de Deputado do baixo clero e agora a cada semana demito algum integrante da minha quadrilha (perdão, equipe); tenho que me afastar do Partido Só Laranjas; lá fora sou criticado, aqui não posso sair às ruas; não sei o que fazer com o Moro. E se advier um impeachment? Vão dizer tchau querido, como eu disse pra Dilma?” Por isso e muito mais acho que nas madrugadas insones ele brada: “Meu Deus, cadê o Queiroz? Me salva Queiroz, tu que sempre fizeste tudo por mim!”.

E o Moro e seu “parsa” Deltan? Coitados, agora enfrentam uma tal de Intercept que tendo interceptado todas as suas trampolinagens, ainda as divulgam. E a opinião pública, que outrora os endeusava, agora se afasta com a velocidade dos ventos? Ainda bem que a Globo, tal como o escorpião da parábola, não consegue negar sua natureza e continua apoiando a dupla “Batman e Robin” ou pelo menos o “homem morcego”. Morcego é vampiro? Ou não?

Contudo também outros “marinheiros” se deparam com o mar agora revolto. Imaginem-se como Ministros do Supremo, agora diariamente confrontados por apoiadores do Bolsonaro, por simpatizantes do “lavajatismo” ou temerosos de vazamentos do Greenwald. Credo! Eles nem ouvem mais “plim, plim”, é só “glenn, glenn”. E, pior, a molecada do MPF, desgarrados do seu chefe lá na PGR, agora deu para peitar os Supremos. Ah! Sim, e o que fazer com o Lula? Preso, ele transcende à cela; solto, vai confirmar que os supremos foram omissos e vão ter que ouvi-lo denunciando isso aos quatro ventos, sob aplausos. E se algo lhe acontecer? Vira santo. Credo em cruz! Que dilema! Coitados dos nossos supremos ministros! Mal pagos (?) e incompreendidos (pudera ninguém entende aquelas falas pomposas e macarrônicas em ambiente “capa preta”).

Mas a baderna, a balbúrdia geral que envergonha e paralisa o Brasil é muito mais ampla. Seria preciso um livro, talvez uma enciclopédia daquelas antigas para açambarcar tudo. Deixemos portanto e por enquanto de lado.
Daí me ocorre e se a gente voltar às origens? Devolver o país aos índios, com um pedido de desculpas é inviável. Mas e se a gente desse uma espiada para além mar e mirasse Portugal e fossemos lá para aprender com eles a tal da “geringonça” que lá montaram e que está alavancando o país em todas as dimensões?

E dizer que passamos a vida ouvindo piada de português.

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