Opinião: a fragilidade das previsões

Prever o futuro é, desde muito tempo, o desejo do homem. Algo natural, que instiga a imaginação,  o desejo de antecipar a improvável sorte de acertar os próximos passos da história. Quantos milhões,  por uma única aposta correta? Este período de fim e início de ano estimulam as mais variadas, criativas, inúteis tentativas.

“Nunca peça opinião, previsão ou recomendação a alguém”, disse certa vez o líbano-americano Nassim Taleb. O matemático, trader e pesquisador sobre riscos já escreveu uma série de livros relacionados as mais variadas fragilidades de viver a crença da previsão,  do caminho único, líquido e certo. Como explica em suas publicações,  as complexidades e aleatoriedades do mundo impedem a clareza, a certeza, do que ocorrerá no dia seguinte. Na verdade,  basta um pequeno gesto, um mísero segundo, e tudo deixa de ser, de acontecer.

Mas, como administrar a ansiedade de desejar saber o que não conseguimos saber? Ver além do agora? Como conhecer o amanhã para mudar os rumos, as caminhadas?

Henry Ford conta com uma frase atribuída a ele que acho muito bacana: “o passado serve para evidenciar as nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso do futuro”. Parece que olhar para o que foi ajuda a encontrar as pegadas do que está por vir. Confúcio disse: “se queres prever o futuro, estuda o passado”.

Por mais que memória ajude, que as coisas possam ser repetidas logo à frente, não existem garantias. O passado é uma base, um indicativo, uma estatística, uma probabilidade do que pode estar por vir. Uma roleta-russa com o futuro.

O exercício de futurologia permite, por exemplo, que economistas chutem uma inflação baixa para 2022, todo um sofrimento para geração de renda no Brasil. Que analistas cravem o placar de um campeonato, de uma eleição, o fim de uma pandemia ou a recuperação acelerada de um país após um único fato determinado.

Acredite, as pessoas que fazem projeções,  previsão ou qualquer outra coisa para adiantar os futuro sabem pouco, ou quase nada além da boa retórica. Fazem confundir o que disseram e, com a maior cara de pau, fazem como que o acerto estivesse ao seu lado.

“A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”, diria Albert Einstein.

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