Nos últimos meses, milhares de famílias de Blumenau voltaram a enfrentar uma situação que deveria estar superada há décadas: abrir a torneira e não ter água. Bairros inteiros ficam horas, às vezes dias, sem abastecimento. Comerciantes acumulam prejuízos, famílias precisam improvisar baldes e caixas d’água, e a população convive com a incerteza de não saber quando o serviço voltará ao normal. A pergunta que fica é simples: como uma cidade do porte de Blumenau ainda convive com um problema tão básico?
Mas é preciso dizer com clareza: a falta de água em Blumenau começa a deixar de parecer apenas um problema de gestão. Ela passa a se parecer com um projeto. Um projeto de sucateamento do SAMAE.
Em várias cidades do Brasil, o roteiro foi exatamente o mesmo. Primeiro os investimentos diminuem. Depois os equipamentos envelhecem sem a devida manutenção. As estruturas começam a falhar com mais frequência e os problemas passam a fazer parte da rotina da população. O serviço piora, a insatisfação cresce e então surge o discurso pronto: o serviço público não funciona. Na sequência, aparece a solução apresentada como inevitável: a privatização.
O SAMAE de Blumenau tem décadas de história e foi responsável por construir praticamente todo o sistema de abastecimento da cidade. Não foi uma empresa privada que levou água para os bairros, que ampliou redes e que estruturou o sistema que atende milhares de moradores. Foi o serviço público. Por isso, o problema não está no fato de o SAMAE ser público. O problema está quando faltam investimentos, planejamento e prioridade política para manter e modernizar o sistema.
Sucatear um serviço para depois dizer que ele não funciona é uma estratégia conhecida. Primeiro se enfraquece a estrutura, depois se constrói a narrativa de que ela é ineficiente. Quando a população já está cansada dos problemas, aparece a proposta de entregar tudo para a iniciativa privada como se fosse a única saída possível.
Mas água não pode ser tratada como uma simples mercadoria. Água é um direito básico. É essencial para a saúde, para a dignidade e para a vida das pessoas. Quando o abastecimento passa a ser tratado apenas como uma oportunidade de negócio, o risco é claro: tarifas mais caras, menos controle público e decisões tomadas longe da população.
Blumenau precisa de solução, não de desculpas. A população quer abrir a torneira e ter água. Mas também tem o direito de saber por que os problemas estão se tornando tão frequentes, onde estão os investimentos necessários e qual é o plano real para recuperar e fortalecer o sistema de abastecimento.
Prova de que o caminho para resolver o problema é investimento e não privatização é o recurso que já conseguimos garantir para a cidade.
Junto com a deputada federal Ana Paula Lima e com o Governo do presidente Lula, asseguramos quase R$ 7 milhões para a construção de um novo reservatório na Itoupava Central. Essa obra será fundamental para ampliar a capacidade de armazenamento e melhorar a segurança do abastecimento em uma das regiões que mais crescem em Blumenau.
O que Blumenau precisa não é enfraquecer o SAMAE. Precisamos fortalecer o Samae! Investir em infraestrutura, modernizar o sistema, planejar o crescimento da cidade e garantir uma gestão eficiente e transparente.
Porque no final das contas, quando serviços essenciais são transformados em negócio, quem paga a conta sempre é a população. Precisamos romper com esse projeto de sucatear o SAMAE e iniciar uma nova fase do abastecimento de água em Blumenau com um serviço público e de qualidade para todos.
Jean Volpato, vereador em Blumenau




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