Opinião: a coisificação no Algoritmo

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É evidente que a quantificação, no que diz respeito a formação educacional é um projeto que vem de longa data. Desta maneira, é muito mais fácil coisificar o ser humano, dando à ele um número, retirando dele toda a sua essência, a qual lhe garante a condição de humanidade.

Por certo que, em determinado momento da busca pelo conhecimento, o ser humano tem a capacidade de buscar por si os conhecimentos necessários que lhe garanta a capacidade de compreender a realidade que lhe cerca, muito embora que, em tempos complexos e obscuros como os que vivemos, mesmo bem informados, fica difícil compreender o mundo ao nosso redor.

Mesmo assim, muitos órgãos de ensino, da rede pública, consideram como a grande salvação em tempos de quarentena, isolamento social e coronavírus. Com certeza é uma forma de manter os estudantes ocupados, buscando uma forma de passar o tempo com a busca do conhecimento, o que em si, tem certa poesia, mas, isso não pode ser considerado, para crianças e adolescentes, uma forma eficiente de ensino. 

Se for observado o caso em específico do Governo do Estado de Santa Catarina, percebe-se algumas coisas interessantes. Foi estabelecida uma parceria com a Google, para que se utilize sua plataforma como forma de promover os estudos, buscando não comprometer o calendário (de 800 horas).

Mas observe a situação que se gera, o aluno acessa esta plataforma, além de acessar o sistema próprio do governo (muito embora houvessem sistemas que unissem essas duas ferramentas, de maneira eficiente, como o utilizado pelas Universidades e Institutos Federais). Lá, ele se torna um número no algoritmo, que gerará estatísticas para os governantes que dirão que houve um bom aproveitamento, que (eventualmente) as notas subiram dentre outras inúmeras vantagens que possam vir a serem citadas. 

A Secretaria de Estado de Educação cadastrou os alunos, pelo seu número de matrícula no sistema da Google, de modo que este possa acessar as atividades que são disponibilizadas pelos professores.

Muitos destes professores são admitidos em caráter temporário, não raro, sem conhecer os alunos, pois a cada ano, está em uma unidade escolar diferente, e para se manter de uma maneira digna, necessita pegar uma carga horária bastante elevada, o que corresponde à uma grande quantidade de turmas, consequentemente, de alunos.

Neste momento, pode-se fazer a reflexão, será que nestas condições, há possibilidade do professor saber que aquele aluno ou aluna específico, tem mais dificuldade, mais dúvidas? Por mais que os alunos possam entrar em contato com o professor através dos meios digitais, esta relação acaba tornando-se mecanizada, fazendo com que o processo de aprendizagem, que deveria gerar futuros pesquisadores, mentes que no futuro ajudarão a vencer problemas de saúde como os que estamos enfrentando com o conona, passem na verdade a ter uma visão superficial do conhecimento, tendo uma tendência ainda maior para a prática muito combinada do copia e cola. 

Desta forma, o estudante acaba sendo coisificado, quantificado, de modo que, o “sistema” de produção em larga escala, acaba fazendo com que, o já comprometido sistema de ensino como forma de abrir as janelas do conhecimento, promovendo uma reflexão sobre o mundo, acaba sendo ainda mais prejudicado, fazendo com que ao invés da reflexão, paulatinamente, passe a existir somente, a repetição.

Têm-se a certeza de que, este momento pandêmico irá passar, e quando isso ocorrer, será indispensável que as pessoas pensem de maneira diferente não somente o modo como pensam sua saúde, mas também, como pensam a sua relação de busca do conhecimento, pois caso isso não ocorra, o processo de coisificação, deixando cada vez mais distante o caráter humano nas relações de ensino e aprendizagem tornar-se-á cada vez mais precoce, de modo a ter um efeito muito diferente do contrário do esperado, onde as pessoas passarão cada vez mais a ter dificuldades de lidar com a vida em sociedade, bem como a opinião do outros, pois, passaram grande parte do seu tempo relacionando-se apenas como a frieza do algoritmo dos sistemas digitais.

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