O governador Jorginho Mello (PL) cumpre agenda nesta sexta-feira no Paraguao, acompanhado do secretário executivo de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, e de comitiva do núcleo econômico do Estado. O roteiro inclui audiência com o vice-presidente da República, Pedro Alliana, reunião com o ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, e almoço com parlamentares paraguaios, entre eles o presidente da Câmara de Deputados, Raúl Latorre.
Além de Bornhausen, integram a comitiva oficial o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, e o secretário de Estado da Comunicação, Bruno Oliveira. A delegação inclui ainda o presidente da InvestSC, Gil Prayon, e representantes do setor produtivo catarinense, como o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.
A missão nasce da leitura de que o Paraguai vive um momento relevante de desenvolvimento econômico. “Vamos construir parceria com um país que vive um momento importante de crescimento: 6,8 milhões de habitantes, grau de investimento conquistado recentemente, um regime de maquila que gerou US$1,3 bilhão em exportações em 2025. É isso que nos leva a Assunção”, afirma o secretário executivo de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen.
O momento também chama atenção pelo contraste tributário entre os dois países: em 2024, a carga tributária brasileira bateu recorde de 34,24% do PIB, segundo a Receita Federal, enquanto o Paraguai opera com carga entre 10% e 12%, sustentada por regime de maquila que tributa em 1% o valor agregado. “A competitividade tributária não está nas mãos do Estado, e sim do governo federal — é uma pauta legítima de debate no país, mas está além da nossa governança. O que está ao nosso alcance é transformar a proximidade com o Paraguai em vantagem, com diálogo e parceria”, completa o secretário.
Os temas prioritários da agenda são:
- Logística estratégica, corredores aduaneiros e integração global: avaliação do uso dos portos catarinenses para cargas paraguaias, com o avanço da Rota Bioceânica e da Hidrovia Paraguai-Paraná;
- Rota do milho — competitividade logística e parceria estratégica: fortalecimento do corredor de escoamento agrícola entre os dois territórios;
- Mercado imobiliário, do turismo e atração de investimentos: possibilidades de investimento paraguaio no polo imobiliário e de turismo catarinense;
- Agrotecnologia e infraestrutura digital subsuperficial: cooperação em inovação agrícola e potencial de Santa Catarina como porta de entrada de dados internacionais no Cone Sul, já que o Paraguai não possui acesso direto a cabos submarinos.
Fluxo turístico em ambos os sentidos
O intercâmbio turístico entre o Paraguai e Santa Catarina tem crescido nos dois sentidos. O Estado recebeu 9.768 turistas paraguaios durante todo o ano de 2025, um salto de cerca de 75% em relação ao ano anterior, segundo dados da Embratur em parceria com o Ministério do Turismo e a Polícia Federal. Na direção oposta, Santa Catarina também se consolidou como origem relevante de visitantes para o país vizinho: é hoje o terceiro maior mercado emissor de turistas para Foz do Iguaçu — principal porta de acesso ao comércio paraguaio de Ciudad del Este —, atrás apenas do Paraná e de São Paulo, segundo a Secretaria de Turismo de Foz do Iguaçu.




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