Futuramente em Blumenau e a carta de princípios aos candidatos a prefeito de Blumenau

O “Futuramente em Blumenau” é um grupo criado no Facebook para projetar Blumenau no futuro com base no conceito de cidade para as pessoas e decidiu ouvir os candidatos a prefeito nesta eleição. Redigiu uma carta de princípios para os candidatos a prefeito nesta eleição, solicitando o apoio a este documento e pedindo a resposta a quatro perguntas.

Até começo da tarde desta quinta-feira, os candidatos Georgia Faust (Psol) e Ricardo Alba (PSL) já haviam se manifestado e outros seis sinalizaram uma posição para os próximos dias.

Entenda mais sobre a iniciativa do grupo.

https://www.facebook.com/groups/1123431691065222

CARTA DE PRINCÍPIOS AOS CANDIDATOS A PREFEITO

o que – esta carta nasce a partir de um grupo privado do facebook – FUTURAMENTE EM BLUMENAU – que tem como objetivo discutir e propagar boas ideias e exemplos para a construção de um novo modelo de cidade para as pessoas no século XXI, alinhada com as melhores práticas, políticas públicas e interesse comum dos ecossistemas, das pessoas e das redes. 

como – os curadores convidados vão escrever sobre o respectivo tema, incluindo referências, algumas imagens e ideias alinhadas com sua visão de cidades médias para o futuro de curto prazo (que está ao alcance do coração, mente e mãos…)

quem – a ideia é que este material – livre e da rede – se transforme numa CARTA MANIFESTO a ser entregue, disponibilizada, lançada e publicizada aos candidatos à Prefeito de Blumenau, mas também aos candidatos à vereador, potenciais secretários, empresários, líderes comunitários e qualquer um de qualquer lugar que queira participar do movimento coletivo para a propagação da ideia e objetivos.

  1. CURADORES – convidados para produzir um texto sobre os princípios que norteiam o desenvolvimento de cidades para as pessoas. Este conteúdo, referências e visão, reflete a posição geral e objetivos do grupo e os candidatos que aderirem, reconhecem e aceitam estes princípios como norteadores de seu Plano de Governo e futura gestão. 
  2. DEBATE NO GRUPO – este documento será publicado no facebook do Futuramente, assim como o objetivo desta iniciativa.
  3. CONVITE CANDIDATOS – todos os candidatos receberão este documento até o dia 25/10/2020 e terão até dia 03/11/2020 para aderir à CARTA e responder as 4 perguntas formuladas. 
  4. DIVULGAÇÃO RESPOSTA CANDIDATOS – até 13/11/2020 serão divulgadas as respostas de cada candidato (2 postagens por dia, por ordem de recebimento das respostas) através do FACEBOOK do grupo. Serão post únicos e os debates, dentro da política do Facebook e sem nenhum tipo de ofensa, acusação ou ataque, serão livres e individuais, sendo as opiniões manifestadas de única e total responsabilidade de cada pessoa (as opiniões não representam o Futuramente Blumenau.

Quando pensamos e falamos sobre nossa cidade no futuro, consideramos o contexto e desafios do presente, assim como os aprendizados e referências do passado e da história. Claro que as demandas do cotidiano são importantes, mas precisamos resgatar a capacidade de pensar no amanhã, sonhar com os pés no chão, de ousar, de planejar para onde queremos ir, por que e como…

  1. cidade sustentável (Acires Dias – UFSC/Florianópolis)
  2. cidade em transição (Regina Hostin – Blumenau)
  3. cidade inclusiva (Jackeline Oliveira, Green Place Park Blumenau)
  4. cidade criativa (Helga Tytlik – Joinville)
  5. cidade inteligente (Ágatha Depiné – UFSC/Floripa)

CIDADE SUSTENTÁVEL

A cidade é o espaço de convívio dos cidadãos entre si e com o ambiente. O objetivo de cidade é prover as condições para o bem viver de todos os que nela habitam. Para tanto, algumas metas devem fazer parte dos programas de governo para – cidades sustentáveis – :

Na mobilidade: acidente zero – com priorização da mobilidade ativa e transporte público eficiente

Na habitação: garantia de moradia para todos

Na saúde: condições adequadas para prover saúde para todos (morar, alimentar, caminhar, respirar, consumir água potável, dispor de energia, destino adequado de efluentes etc.)

No trabalho: condições para atividades laborais remuneradas e não remuneradas

Na educação: dispor de educação de qualidade para todos, motivadora do conhecimento e da esperança (no sentido do verbo “esperançar”). Escolas de tempo integral. Professores bem formados, bem pagos.

Na segurança pública: educação dos profissionais de segurança para proteger os cidadãos, a cidadania e o bem viver de todos. A segurança deve ter foco na educação. Não na repressão. Não no extermínio.  

CIDADE EM TRANSIÇÃO

  1. Cidades em Transição é um movimento que tem como objetivo construir cidades resilientes, menos dependentes dos combustíveis fósseis e mais integradas à natureza. 
  2. Começa pela sensibilização das comunidades e tem como princípio a inclusão: todos são necessários.
  3. Depois de estabelecidas as bases, forma-se grupos de trabalho. Além disso, fomenta o diálogo em círculo para cocriar soluções.
  4. Facilita o aprendizado de novos talentos, honra os conhecimentos diversos e os anciãos, além de estabelecer uma ponte com o governo
  5. O movimento das Cidades em Transições fortalece as comunidades, olha para o coletivo, respeita o meio ambiente, repensa o uso dos combustíveis, valoriza o local .

CIDADE INCLUSIVA

  1. As cidades Inclusivas são aquelas que conseguem integrar, de forma orgânica, as 5 dimensões da igualdade: economia, sociedade, política, cultura e natureza. Criando em primeiro momento espaços de diagnóstico e planejamento.
  2. A cidade inclusiva é aquela que envolve o cidadão na tomada de decisão, buscando na diversidade a convergência, criando assim, condições de diálogo entre os diferentes agentes da realidade.
  3. Uma cidade inclusiva tem como lema a diversidade.
  4. As  cidades inclusivas são aquelas que garantem  que todas as pessoas desfrutem os benefícios de uma vida em paz, com segurança e oportunidades de crescimento.
  5. As cidades inclusivas trazem as dimensões da sustentabilidade como “espinha dorsal” do seu  planejamento.
  6. Nas cidades inclusivas o DNA público é aberto, claro e participativo.

CIDADES CRIATIVAS E INTELIGENTES

1) desenvolvem mecanismos para antecipar oportunidades para solução de problemas; 

2) estabelecem conexões entre espaços, identidades, história, cidade e o mundo, entre setores e agentes públicos ou privados; 

3) valorizam a cultura pelos seus valores simbólicos, de identidade e de potencial de economia da cultura, que compartilhados estimulam a criatividade gerando impacto econômico e social. 

Para que estes princípios básicos sejam aplicados com eficiência, é imprescindível a participação do cidadão neste processo e fortalecer os laços sociais da história dos cidadãos com a cidade. ¨Um dos elementos cruciais é a conexão, ou seja, os mapas mentais e afetivos que cada cidadão possui com seu território. Essa é uma forma de mudar a nossa relação com a cidade e até mesmo combater a ansiedade/depressão. É preciso se sentir mais próximo das pessoas e da cidade também.” (Ana Carla Fonseca Reis).

A inteligência aqui, não se refere apenas ao uso da tecnologia, potente parceira para auxiliar nos mapeamentos, conexões e comunicação necessárias para o sucesso do processo para desenvolver uma cidade criativa e inteligente, mas também a capacidade de ouvir, avaliar, sentir e equalizar as necessidades da população. Ou seja, a cidade inteligente coloca as pessoas como seu principal ativo. Vejo quatro principais atores neste processo que devem atuar de forma participativa, colaborativa e equitativa: sociedade civil, setor privado, setores criativos e gestão pública. Aproveitar as experiências e capital intelectual destes atores contribuirá em muito para encontrar as necessárias soluções e realizar ações, programas e investimentos mais assertivos. A gestão pública tem aqui a maior responsabilidade, na condição de criar e gerenciar transversalidades eficientes entre estes quatro atores. Os setores criativos, que já movimentam por si só a economia da cultura, são grande potencial para iniciar o processo de desenvolvimento econômico e social impulsionando a economia criativa. O setor privado ganha aliados neste momento de transição dos perfis profissionais necessários para sua atividade para o qual os setores criativos podem contribuir em muito através da troca de experiências sobre criatividade e também passa a compreender a cultura como investimento com consistente retorno para a movimentação financeira que impacta o PIB municipal.

 A sociedade civil, mais participativa e colaborativa com o sistema, passa a ser protagonista na transformação de sua cidade

CIDADE INTELIGENTE 

Ainda que uma boa parte das cidades em todo o mundo contemporâneo busque se tornar “inteligente” por diferentes razões e sob diferentes abordagens, seja por uma questão de imagem e marca, para atrair talentos e investimentos, ou pela necessidade de maior qualidade de vida para sua população, é necessário reconhecer que a tecnologia tem conquistado cada vez mais espaço na vida das pessoas e, consequentemente, no urbano. 

Uma cidade inteligente, ou smart city, é um ecossistema urbano inovador caracterizado pelo uso generalizado de tecnologia na gestão de seus recursos e de sua infraestrutura. Com isso, tecnologia e inovação são mescladas de forma coordenada e integrada à infraestrutura urbana tradicional. Nessa tipologia urbana as tecnologias da informação e comunicação, TICs, são utilizadas como um meio (e não um fim) para melhor realizar a visão de futuro da cidade e promover maior qualidade de vida para seus cidadãos. 

A cidade inteligente se diferencia de outras tipologias contemporâneas, como a cidade criativa e a cidade sustentável, pois não se fixa em apenas uma característica ou dimensão para planejar e desenvolver a cidade; busca utilizar o potencial das TICs para desenvolver todos os aspectos da cidade, garantindo que as soluções tecnológicas serão utilizadas para apoiar a eficiência de cada uma de suas dimensões em sinergia: da educação à economia.

Inicialmente as cidades inteligentes estiveram mais envolvidas com interesses corporativos e foram dirigidas pelas relações com o mercado, mas nos últimos anos o seu foco foi direcionado ao cidadão e a responder questões de interesse social, possibilitando a construção de um futuro sob a visão ideal da comunidade. Assim, alguns de seus maiores desafios envolvem novas formas e novas tecnologias para desenvolver processos colaborativos no enfrentamento dos desafios urbanos, ouvir as necessidades e interesses dos cidadãos e permitir uma gestão mais democrática das cidades. 

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