Distorção nacional

Foto: reprodução

A imagem da reabertura do shopping Newmarkt no dia 22 de abril, depois de mais de 30 dias fechado por conta do decreto estadual em virtude do Coronavírus, gerou e gera uma imagem distorcida – e, portanto injusta – de Blumenau no Brasil.

Neste domingo, 28 de Junho, esteve novamente em rede nacional, no Fantástico, em reportagem que repercutia locais onde houve flexibilização de atividades e a cidade foi novamente lembrada como um “case” de imprudência.

Numa desastrosa ação de marketing do shopping que foi parar nas redes sociais, um vídeo mostrou a aglomeração de pessoas logo depois da abertura das portas, algumas idosas, contrariando a recomendação, ao som do um saxofone e com um tapete vermelho.

A imagem é real, mas foi o retrato daquele momento. Minutos depois a realidade era outra no shopping, com distanciamento e demais cuidados exigidos.

Mas o clique que correu o país e o mundo colocou tudo que está sendo feito na cidade para combater o Coronavírus em segundo plano.

Mea culpa seja feita pela imprensa nacional, que de longe não contextualiza como devia. Por preguiça e por incompetência.

Sim, Blumenau flexibilizou as atividades a medida que o Governo do Estado flexibilizava seus decretos, mas todos os entes foram obrigados a fazer o mesmo, por uma série de fatores. O ideal é ficar em casa sim, mas é impossível para boa parte das pessoas.

Os casos cresceram em Blumenau sim, mas a Prefeitura também se esmerou em fazer a testagem. Não esperou pelo Laboratório do Estado, foi um dos primeiros Municípios a comprarem testes particulares e já testou  mais de 11,5 mil pessoas.

Atendimentos foram disponibilizados em todos os ambulatórios e no centro de referência montado no Parque Vila Germânica.

As mortes preocupam e nos enlutam, acendem o sinal de alerta, mas perto de outras cidades, estamos com índices inferiores.  Basta olhar a vizinha Itajaí.

Nossa média de ocupação de leitos, principal indicador para o achatamento da curva de evolução do vírus, teve pico de pouco mais de 60% na semana passada, recuou e terá mais uma folga com a entrada de funcionamento de 20 novos leitos na terça-feira.

Nenhuma decisão de flexibilização tomada aqui é dissonante com o decreto do Estado e com o que está sendo feito país a fora. Pode-se questionar alguns pontos, mas também é preciso entender as decisões tomadas.

A abertura do shopping aconteceu há dois meses e a evolução maior aconteceu há duas semanas, portanto sem influência. Período que se confunde com a ampliação da testagem, com cerca de 15 mil kits comprados pela Prefeitura.

Portanto, insisto, a imagem é injusta. Com o trabalho que vem sendo feito e com boa parte da população que tem procurado se cuidar.

Mas confesso que tenho medo de não poder dizer isso nas próximas semanas. Torço para que não surjam outras imagens emblemáticas de negligência e a falta de senso de uma parcela da população. Pois aí pode ser mais preocupante.

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