Câmara debate localização do Abrigo Municipal de Blumenau

Foto: PMB

Um dos debates desta terça-feira na Câmara de Blumenau foi a localização do AMBLU, o abrigo municipal que recebe moradores de rua, hoje no bairro Escola Agrícola.

No começo da sessão, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança nº 085 SC, Bernardo Schlindwein, ocupou a Tribuna Livre para reclamar da localização do abrigo. “A Escola Agrícola cresce e é um bairro que sofre uma dura pena. Temos questões de segurança que foram decididas no passado, que ao meu ver, não foram decisões acertadas. Entendemos que do jeito que foi implantado o AMBLU, em um espaço pequeno, com cinco escolas, asilo, creche, não é o adequado”, afirmou o presidente.

E segue, numa clara referência de que muitos usuários do espaço seriam de fora. “Por que Blumenau tem que pagar a conta sozinho? No passado existiu outra instituição em nosso bairro e observamos que essa questão precisa ser levantada e tratada com atenção”, concluiu o conselheiro.

No mesmo dia, o vereador Cezar Campesatto (União), que é morador do bairro, fez um requerimento, aprovado pelos pares, pedindo as seguintes informações do Executivo Municipal. “Foi feito um estudo de impacto ao implantar o AMBLU na Rua José Fischer? Se a resposta for positiva, este Vereador solicita esses dados. Caso contrário, solicita que seja avaliada a possibilidade de realocar o AMBLU para uma área mais afastada, com densidade demográfica menor. Justificativa: os moradores da região reclamam da presença do AMBLU ali, devido à existência de uma escola, CEIs e praças próximos. Durante o dia, as pessoas abrigadas no local caminham pela região, pedindo esmolas e comida, gerando uma sensação de insegurança nos moradores, inclusive eventdos de arrombamento e tentativa de assalto já ocorreram no comércio da região.”

E aí seguir veio um debate que mostra um problema social e um pouco o que pensam nossas lideranças políticas.

O suplente João Beltrame (Podemos) diz que pode-se ficar trocando de endereço, mas nunca vai se resolver, pois ninguém quer ser vizinho de um local como este, apontando alguns problemas que já soube que ocorreu nestes locais e destacando o trabalho da Prefeitura. Disse que levar para um local mais isolado vai gerar ainda mais resistência por parte dos usuários.

Cristiane Loureiro (Podemos) disse que é preciso ter uma política pública ainda mais efetiva para este segmento e disse que vai buscar exemplos de outras cidades que possam ser aplicados aqui. Diz que é preciso separar os dependentes químicos dos demais usuários do AMBLU. “Precisamos amparar antes de acontecer!”

O presidente da Câmara, Almir Vieira (PP) – que assumirá a Prefeitura em setembro – , fez um pronunciamento no seu estilo. Em resposta a colega Cristiane Loureiro, começou. “Acolher? Fica um dia sem trabalhar, vê se alguém vai te dar comida, vai te dar um banho…” Seguiu. “Arruma um terrreno, coloca um barraco e bota para trabalhar”, disse Almir, afirmando que a maioria não quer trabalhar e nem seguir as regras do abrigo.

O vereador disse que caso haja um problema de saúde, que se trate, mas depois não. “Agora depois, negão (sic), começa a trabalhar, senão não vais mais comer e se ficar na rua vai ser preso, pois o direito dele termina quando começa o meu.” Um cara destes come e tem toda a proteção, bradou o presidente.

O líder do Governo, Jovino Cardoso (SD), afirmou que cerca de 80% tem passagem pela polícia e que muitos tem problemas mentais, além dos dependentes químicos. “Nunca vi em Blumenau tantos moradores de rua”, insinuando que outros Municípios mandam seus moradores de rua para cá.

Sem negar a reivindicação da comunidade, o vereador Adriano Pereira (PT) foi certeiro. “Nós vamos ficar mudando de lugar o AMBLU até quando e para quantos lugares na nossa cidade? Aqui na Alameda ninguém quer, no centro da cidade ninguém quer….””, questionou. “Precisamos melhorar o atendimento aos dependentes químicos, as pessoas que estão nesta condição de vulnerabilidade social”, afirmou o parlamentar “Talvez tenham muitas pessoas que estão naquela situação, que se tivesse assistência no todo, teriam um outro futuro”.

“São seres humanos e muitos deles precisam de ajuda para sair desta situação!”, cobrando alternativas para ajudar as pessoas.

A localização do AMBLU já foi alvo da uma abaixo-assinado de moradores e empresários do bairro.

Moradores de Rua são, talvez, um dos grandes problemas sociais dos nossos tempos, um problema de difícil solução. Que precisa ser encarado de frente, pelas diferentes esferas de poder e pela própria sociedade. Hoje, estas pessoas podem parecer anônimas, mas amanhã ou depois pode ser da família, um amigo, um conhecido. É preciso empatia!

 

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*