Câmara de Blumenau recebe entidades para debater violência contra a mulher

Foto: Lucas Prudêncio/CMB

A Comissão Legislativa Temporária Especial em defesa de políticas públicas para as mulheres e pelo enfrentamento à violência doméstica se reuniu, na noite desta quinta-feira (30), no plenário, com representantes, na sua maioria mulheres, de segmentos dentro de instituições, delegacia, secretarias municipais, entidades e associações que estão ligadas ao público feminino. Apenas dois vereadores estiveram presentes: o presidente Jens Mantau (PSDB) e Almir Vieira (PP).

Durante o encontro foram abordados dados sobre os feminicídios, homicídios em Blumenau e no Estado e também como identificar quando a mulher está numa situação de violência. Também se falou do trabalho do Comitê da Rede de Atenção Integral às pessoas em situação de violência, que foi criado em 2012. Foi relatada ainda a situação das delegacias em Blumenau, principalmente na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), para onde foram reivindicadas melhorias na infraestrutura para melhor atender a população que precisa de ajuda. Também se questionou a quantidade de profissionais disponíveis na delegacia e nos órgãos públicos para atender as demandas da população em relação à violência.

A representante do Instituto Feminista Nísia Floresta, Maria Cecilia Seraphim, disse que identificar que a mulher está sofrendo com uma situação de violência é o primeiro passo, mas é um dos mais difíceis. “Às vezes, é muito mais difícil uma mulher se ver numa situação de violência do que denunciar, porque se tem uma cultura enraizada de que é normal brigar, discutir, o ciúme excessivo. Tudo que te faz mal, que te sufoca ou te agride de alguma forma seja fisicamente, psicologicamente, emocionalmente é considerado uma violência”, disse, aconselhando as mulheres que têm dúvidas que procurem ajuda de especialistas tanto no instituto quanto na delegacia para serem orientadas.

Também apontou que a comissão está trazendo essa problemática para se discutir e buscar alguma solução para o município no sentido de diminuir, evitar, educar, informar e trabalhar melhor em relação à violência contra a mulher. “Nós ficamos assustadas com os dados trazidos pela delegacia de polícia de Blumenau, mas acreditamos que temos vários organismos que precisam estar juntos participando, inclusive com o apoio de empresas, nesta causa”, sustentou.

Além disso, durante a reunião também foi relatado a situação das delegacias em Blumenau e se reivindicou melhores condições na infraestrutura desses locais, principalmente na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI). A delegada Juliana Tridapalli reivindicou melhores condições estruturais para trabalhar nessa delegacia, em especial na acessibilidade para melhor atender a população. “Nós policiais civis estamos trabalhamos em condições indignas nas delegacias do município. Nós não temos um ambiente adequado para trabalhar, muito menos para atender o cidadão que nos procura, principalmente nesta delegacia especializada em que eu trabalho. Nós não temos acessibilidade para cadeirantes, falta uma melhor estrutura para atender a população. Precisamos de um lugar digno para que os policiais civis possam trabalhar e para atender as vítimas que nos procuram”, apontou.

Ela explicou que a vinda até a Câmara de Vereadores foi no sentido de solicitar ajuda dos representantes na tentativa de viabilizar uma nova sede para esta delegacia especializada e também buscar parcerias com a iniciativa privada para que seja feita a manutenção de alguma sala ou a doação de mobiliário.

O parlamentar Almir Vieira apontou que o relato das representantes presentes nesta reunião foi comovente e ao mesmo tempo triste, não só com a questão da violência contra a mulher, mas também devido à falta de estrutura para o trabalho nas delegacias. “É um descaso do Governo do Estado que não está assessorando e dando as condições mínimas para os profissionais que trabalham nas delegacias”, lamentou, acrescentando que o intuito da comissão é chamar a sociedade civil organizada e outros representantes que estão diretamente ligados para ter um olhar mais atencioso para demanda.

O presidente Jens Mantau classificou que o cenário é caótico ao se referir da estrutura das delegacias em que os profissionais precisam trabalhar em Blumenau. Apontou que a comissão está disposta e vai buscar, em conjunto o poder público e a iniciativa privada, ajudar e fazer os encaminhamentos possíveis para melhorar as condições de trabalho dos profissionais. “É uma vergonha para o Governo do Estado o abandono desses profissionais que estão lá para atender situações difíceis e a própria população acaba não tendo um atendimento digno por conta disso. Não é a Câmara ou a prefeitura que vão resolver, mas em conjunto vamos buscar alternativas de solução. Se o Estado não tem esta visão, vamos buscar internamente com os empresários, os convidando para uma reunião lá na delegacia”, apontou o presidente, dizendo que antes deste encontro, a comissão vai participar da reunião do Comitê da rede de atenção integral as pessoas em situação de violência, no dia 11 de junho, no Senac.

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