Blumenau 167 anos?

Foto: Jaime Batista/Blog do Jaime

Christian Krambeck

Arquiteto e Urbanista, empresário e professor da FURB.

 

 

Chegar aos 167 anos de Blumenau, significa viver no limiar de um novo século, que como todos os anteriores, promete mudanças profundas, rápidas e dramáticas. Algumas serão doloridas e difíceis, principalmente quando precisamos abandonar nossa zonas de conforto, mudar hábitos consolidados desde a geração de nossos pais.

Então é razoável fazer uma pergunta simples: qual é o desenho do século XXI para as cidades? Do que as pessoas precisam, o que elas querem? O atual modelo de cidades, planejamento urbano, democracia, política, ensino, mobilidade e trabalho, baseado na realidade do século passado, oferece perspectiva de futuro? É capaz de propiciar nossa felicidade?

Deixo a resposta com vocês.

Ainda estou tentando entender e formular melhor a pergunta. Aliás, não sei como deveria ser a Blumenau do século XXI, tenho algumas ideias da que não quero. Não quero uma cidade cujo planejamento, decisões e investimentos prioritários estejam baseados apenas na lógica do automóvel individual.

Também não me sinto feliz em uma cidade que “comemora” 167 anos no meio de uma “polêmica” sobre uma ponte torta, no lugar errado proposta por um candidato a prefeito que se vendia como “o novo”, mas depois de eleito fez mais do mesmo, mudando de lugar uma ponte, fruto de um processo público e técnico corretos, apenas porque havia sido pensada e viabilizada por governos anteriores.

Diante de muitos discursos e promessas e de um cenário não muito promissor, vamos voltar a pergunta.

Que cidade queremos para nossos filhos? Como reaprender a usar a cidade? O que precisamos fazer para mudar o atual modelo de construir uma cidade realmente para as pessoas? Que representantes e políticos precisamos escolher, eleger ou ser? Há como construir algo realmente novo com os atuais políticos de Blumenau? O que eles estão fazendo, com o que estão preocupados?

O que fazem pela mobilidade cidadã; pela sustentabilidade; por mais parques, praças e espaços públicos de qualidade; pela cultura popular e de rua; pelas comunidades e favelas da cidade?

Considerando que o atual modelo faliu e que o número de usuários cai anualmente, o que fazem para salvar o sistema de transporte coletivo (ônibus) da falência certa em 7 ou 8 anos? O que fazem pelo nosso precário e inseguro sistema cicloviário; pela inovação e empreendedorismo, pela economia criativa?

Cidades para as pessoas respeitam sua história, valorizam sua identidade a partir da diversidade, atraindo pessoas e talentos de todos os lugares, todas as classes sociais, raças e ideologias. São tolerantes, vibrantes, coloridas, igualitárias e livres.

Cidades para as pessoas promovem encontros, trocas e eventos em rede como o Colmeia, TEDxBlumenau, Ateliê Vertical e Cidade para as pessoas Furb, Stammtisch, Oktoberfest, Fitub, Festitália, Fenatib, Gincana da Cidade, Festival de Botecos e da Cerveja, Roteiro de Cicloturismo, festivais culturais e eventos de inovação e empreendedorismo e cidades inteligentes e digitais.

E tantos outros que ainda seremos capazes de criar e promover a partir da construção coletiva e atuação em rede se fizermos as perguntas certas neste início do século XXI.

 

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