Análise | Uma quarta-feira distópica

Foto: redes sociais

Quarta-feira, 18 de março de um ano qualquer, numa cidade média de um pequeno estado do sul do país.

Um dia normal, apesar de uma guerra longínqua, que parece não ter nada a ver conosco, mas afeta o planeta, por se tratar de um país produtor de petróleo, numa região de outros tantos produtores importantes.

Mas alguém fala numa greve geral de caminhoneiros. Nenhum veículo importante de imprensa repercute a notícia, mas as redes sociais berram…

Do nada, filas enormes se formam nos postos de combustíveis desta cidade, que bate no peito para dizer que é ordeira e tem um histórico de resiliência nas maiores dificuldades.

As filas congestionam as ruas — cadê a guarda de trânsito? —, demora para chegar em casa e um medo de um inimigo que não sabemos quem é.

“Culpa do Governo Federal”, bradavam políticos oportunistas.

“Culpa do Trump, o senhor das guerras”, bradava outra parte de oportunistas.

A cidade dormiu impactada com o caos do final de tarde e amanheceu tranquila. Nem greve, nem guerra. Muitos postos estavam desabastecidos, mas todo mundo dirigia tranquilo com tanque cheio.

Assim que o combustível chegava aos postos, a surpresa, esperada. Depois de uma, duas, até três horas em filas, com um trânsito caótico, a gasolina, que nunca foi embora, chegava nas bombas de 5 a 10% mais cara.

Alguém ganhou muito dinheiro. E muitos, em especial aqueles que não se aventuraram na narrativa distópica, tiveram que desembolsar mais para pagar o combustível nosso de todo o dia. Daqueles que foram para a fila alimentar a especulação, estes merecem um “bem feito”. O problema é quem não entrou na onda e teve que pagar a mesma conta.

Informação não é narrativa, é um fato transformado em notícia por profissionais.

O que aconteceu em Blumenau não se repetiu em outras cidades catarinenses, salvo uma ou outra exceção.

Qual o chapéu que nós, moradores da cidade, devemos colocar?

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*