Como em várias cidades catarinenses, em Blumenau o partido Novo trabalhava para tentar se constituir como uma alternativa, no campo conservador, ao PL, de Jorginho Mello e Egidio Ferrari. Mas, os movimentos no andar de cima da política estadual colocaram a sigla no projeto de reeleição do governador, que convidou – convite aceito! – o prefeito de Joinville, Adriano Silva, para ser o candidato a vice.
A movimentação praticamente sacramenta o favoritismo de Jorginho Mello na disputa deste ano e escancara mais uma contradição do Novo. Para começo de conversa, em mais de uma oportunidade, o prefeito de Joinville sinalizou que não deixaria o cargo para disputar a eleição e agora aceitou ser coadjuvante do PL.
As principais lideranças do Novo de Santa Catarina fizeram duras críticas à pré-candidatura do vereador carioca Carlos Bolsonaro ao Senado pelo PL estadual. Inclusive Adriano Silva, que agora fará parte da chapa majoritária ao lado do filho do ex-presidente.
O Novo de Blumenau se manifestou em nota.
“Mais do que uma aliança política, é a convergência de propósitos: menos polarização e mais eficiência.” Joinville hoje é vitrine para o Brasil, sendo a cidade mais feliz do país e referência em educação e inovação. É essa competência que queremos para toda Santa Catarina.
Estamos prontos para somar, propor e fiscalizar, garantindo que o nosso Estado continue sendo a locomotiva do Brasil.”
Resta saber como será a postura dos dois vereadores da cidade, além da principal liderança, Odair Tramontin, pré-candidato a deputado estadual. Eles faziam duras críticas à administração Egidio Ferrari e agora terão que maneirar o discurso, ou não? Afinal, Blumenau é a principal cidade catarinense dirigida por um filiado do 22 e é um importante portfólio do governador candidato à reeleição.
Em fevereiro, quando recomeçam as sessões ordinárias na Câmara, terá a reta final da CPI do Esgoto, com a apresentação do relatório final. O presidente da Comissão, Diego Nasato, tem pegado pesado contra a administração municipal. Seguirá assim? Ele chegou inclusive a pensar em convidar o prefeito para falar na CPI como convidado. Fará isso?
O fato é que a adesão do Novo ao PL sinaliza que a administração municipal tende a ter vida mais tranquila na Câmara. E o Novo terá que recalibrar o seu discurso.



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