A frase que ilustra este post estava na semana passada no jornal Zero Hora. O motivo é a intervenção nacional da direção do PT, leia-se Lula, para que o partido abra mão e ceda a cabeça de chapa para a deputada estadual Juliana Brizola, do PDT. Dois dias antes da determinação, as principais lideranças do PT gaúcho bradaram, em encontro político, que não aceitariam a intervenção e que era preciso que tivessem a história respeitada.
Dois dias depois, essas mesmas lideranças, entre elas o até então pré-candidato ao governo pelo PT, Edson Pretto, comunicaram alinhamento ao projeto nacional e motivaram a manchete da ZH, um dos principais jornais do país.
É corriqueiro isso na política, é só observar. Na semana passada aconteceu, em Blumenau, uma situação parecida; foi preciso engolir sapo. Por mais de uma pessoa, digamos assim, pelos dois lados.
Falamos da indicação de Alexandre Matias (PSDB) para ser líder do governo Egidio Ferrari (PL) na Câmara Municipal, anunciada na semana passada. A indicação não se deve à capacidade de Matias, que ocupará pela terceira vez a função de líder do governo, sendo vereador em seu terceiro mandato e ex-secretário de Assistência Social e Educação.
Mas pelos fatos passados recentes, que o jornalismo indica que sejam lembrados.
Matias ainda está no PSDB, que foi o parceiro de chapa de Egidio oferecendo Maria Regina Soar, hoje no Republicanos, como candidata a vice. Na primeira montagem do secretariado, ainda antes de assumir a nova gestão, Matias era nome natural a permanecer como secretário de Educação, pela visibilidade do trabalho, por ter sido eleito mais uma vez e ainda por ser tucano, o partido da vice-eleita.
Foi o que aconteceu; Matia foi indicado, mas não terminou o primeiro mês como secretariado. Foi “convidado” a sair de forma direta, depois de problemas na licitação dos uniformes escolares e no contrato das merendas escolares. Esta não foi a versão oficial, mas é a verdade.
Matias foi entregue aos leões, voltou para a Câmara para exercer o mandato para o qual foi eleito, mas nunca escondeu seu descontentamento com a postura do governo E, no terceiro andar, o sentimento era de que foi necessário limpar a área, mesmo alijando um vereador do principal partido aliado, com o currículo respeitado.
2025 foi ano de digestão, dos dois lados. Mastigar, digerir, jogar para fora o que não dava e engolir sapos. E seguir em frente.
Assim é a política.
Em abril de 2026, Alexandre Matias, do PSDB, passará a ser o interlocutor da gestão Egidio Ferrari na Câmara de Vereadores.



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