A visita de um governador a qualquer cidade é sempre um fato político e muita gente quer aparecer na foto e estar ao lado da autoridade maior do Estado. Foi assim com a visita de Carlos Moisés (sem partido) a Blumenau nesta sexta-feira, quando passou boa parte do dia.
Mas chamou a atenção a companhia de Carlos Moisés para o almoço, na churrascaria Ataliba. Ele estava com uma comitiva grande, inclusive com dois deputados – Ricardo Alba (PSL) e Maurício Eskudlark (PL), mas na sua mesa apenas lugar para um convidado: o ex-prefeito Napoleão Bernardes (PSD).
Conversei com Napoleão e ele me disse que recebeu o convite na tarde de ontem do próprio governador, a quem não conhecia pessoalmente. Ficou surpreso, mas aceitou na hora. “Convite de governador é uma ordem”, brincou.
Sobre o cardápio da conversa, entre uma picanha e outra da churrascaria, Napoleão disse que foi uma aproximação de duas lideranças que não se conheciam, mas garante que pouco se falou de política e eleições, como se pode imaginar. “O governador me disse que não tem pressa para definir seu futuro partidário e não vai trabalhar a questão eleitoral neste ano,” afirmou o ex-prefeito de Blumenau.
Eu apurei também que quem devia estar nesta conversa era o deputado estadual Ismael dos Santos, presidente do PSD em Blumenau, que teve problemas de saúde.
Insisti com Napoleão e fiz algumas especulações com ele, que obviamente saiu pela tangente.
Hoje ele está colocado como um dos três pré-candidatos do PSD à sucessão de Carlos Moisés e nome certo para estar numa das vagas de majoritária da legenda. É o “queridinho” dos caciques do PSD, leia-se Jorge Bornhausen e Júlio Garcia, e visto como uma liderança emergente da política catarinense, associando juventude com experiência administrativa.
Desde do processo do primeiro impeachment de Moisés, o PSD se aproximou bastante do governador, a ponto do homem de confiança de Garcia, Eron Giodani, deixar o Legislativo para virar chefe de Gabinete no Executivo, a pessoa responsável por aparar arestas com os deputados.
Sem partido desde que deixou o PSL recentemente e com caixa cheio, com realizações em todo o Estado, Carlos Moises já se movimenta como candidato à reeleição, apesar de evitar falar no assunto publicamente. Não vai poder mais surfar na onda Bolsonaro – aliás, é dai que talvez tenha o seu principal adversário em 2022 – e precisará estrutura e parcerias para se viabilizar eleitoralmente.
E mais uma leitura que pode ser feita. De todos os pré-candidatos colocados ao Governo do Estado, apenas Moisés não tem mais a oportunidade de ficar oitos anos, ou dois mandatos. Em caso de reeleição, Moisés teria mais quatro anos. Ou três anos, caso faça como Colombo em 2018, quando deixou o Governo para ser candidato ao Senado.
Ou seja, uma eventual aliança Moisés e Napoleão, com este como candidato a vice, pode estar no horizonte daquelas lideranças que tentam enxergar lá na frente.
Ou seria viagem minha?



Seja o primeiro a comentar