Gostaria de iniciar este texto com uma analogia histórica, mais precisamente a época da Revolução Gloriosa na Inglaterra (1688-1689), pois este movimento encerrou o poder absoluto dos reis da Dinastia Stuart, além de ter influenciado fortemente, claro, nas transformações das instituições inglesas.
Muitos historiadores e outros estudiosos citam a importância da revolução industrial (1760-1840), obviamente com razão pelos seus feitos, porém, a revolução gloriosa foi quem permitiu e ofereceu o cenário ideal (instituições modificadas) para que as mudanças desta última citada pudessem acontecer.
Transportando para o cenário contemporâneo brasileiro, nosso país precisa urgentemente de uma iniciativa similar como no século XVII na Inglaterra, mudar as instituições, especialmente a funcionalidade e a relação entre os 3 poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
O processo de escolha dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) por indicação do poder executivo, particularmente a presidência da república, tem se mostrado um desastre para o país, especialmente nos últimos 8 anos. Interesses de grupos políticos e econômicos prevalecem na tomada de decisões e sentenças fortalecem a chantagem institucional e a facilitação do enriquecimento ilícito por parte de autoridades mancomunadas.
O que assistimos essa semana no STF, durante a sessão de análise para abertura do processo de investigação contra Alexandre de Morais, a partir de fortes indícios de uma relação nada republicana com o banqueiro Daniel Vorcaro, foi um espetáculo deprimente que fere de morte o estado democrático de direito.
Outrossim, este fato é apenas uma consequência das relações entre poderes de muitos decênios no Brasil, deteriorada ainda mais pelo lulo-petismo, com escolhas de compadrio e com requintes do modus operandi da máfia italiana.
Portanto, é preciso que aconteça no Brasil uma mudança institucional rápida e eficaz, do contrário, a democracia brasileira deixará de existir e ficaremos reféns de grupos de poucos magistrados, do poder executivo e com o que a de pior no legislativo. Na hora de escolhermos nossos representantes, é preciso refletir historicamente, como no exemplo do início desta coluna, observando o que a história, por exemplo, da Inglaterra, mostrou ao mundo a partir da Revolução Gloriosa.
Professor Leonardo Furtado, doutor em Desenvolvimento Regional





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