Antes de nada, este texto é uma análise. Agora, com as candidaturas praticamente definidas, há menos de 15 dias do prazo da largada da campanha propriamente dita.
Não é uma torcida, para um lado ou outro, numa eleição mais uma vez marcada por poucos lados.
É uma análise de quem acompanha a política eleitoral como cidadão desde 1985, na primeira eleição direta para prefeito no processo de redemocratização do país, e com um olhar mais de jornalista a partir de 1989, primeira eleição presidencial 25 anos depois da implantação de uma ditadura militar.
Não é um fato, uma notícia. Assim como no futebol aponta-se favoritismo de determinados times, nem sempre eles se confirmam. Mas, por uma série de circunstâncias, um time muitas vezes é mais favorito do que outro. Mesmo assim, os “analistas” muitas vezes quebram a cara.
Assim é na política. E, correndo o risco de quebrar a cara ali na frente, em outubro, o Informe arrisca dizer que Lula (PT) e Jorginho Mello (PL) largam com boa vantagem na disputa para a Presidência e Governo do estado. E, sem fatos novos ou sobresaltos, tendem a manter esta vantagem.
Por conta das circunstâncias, diferentes no caso de Lula e Jorginho.
Num dos estados com mais adesões ao bolsonarismo, Jorginho concorre com o número do partido do ex-presidente e tem na sua chapa dois filhos dele, Carlos e Jair Renan, além de pedir voto para o mais velho, Flávio. Faz diferença, na comparação com seu principal adversário no eleitorado majoritariamente conservador, João Rodrigues (PSD), que terá Ronaldo Caiado como candidato à Presidência.
Bolsonarista declarado, o ex-prefeito de Chapecó está no partido que é base do governo Lula, aliado do MDB e do União, outros que fazem parte da administração federal. E ainda disputa com Flávio Bolsonaro.
Jorginho Mello tem ainda um governo bem avaliado até pelos adversários, com marcas importantes. Sempre se espera mais de um governante, mas não dá para atribuir uma nota ruim para o governo dele, dentro da conjuntura.
E, por estar à frente do governo, ter a maior base aliada na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, as nominatas mais robustas e apoios de muitos prefeitos de outras siglas, chega em vantagem para a eleição.
Arriscamos a dizer com chances de vencer ainda no primeiro turno. Se houver o segundo, é porque a conjuntura de hoje mudou.
No plano federal, Santa Catarina não pode ser termômetro. Muitas vezes se mede pela régua daqui, mas a média nacional é bem diferente. E, quando se fala em média nacional, não é Nordeste, como se gosta de falar, de forma preconceituosa. Basta olhar os números da eleição nacional em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, os principais colégios eleitorais.
Lula leva ampla vantagem em regiões do Nordeste e, no Sudeste, há uma disputa parelha. Paraná e Santa Catarina apontam vantagem para Flávio Bolsonaro (PL). Já no Rio Grande do Sul há uma disputa mais parelha.
O Governo Federal tem marcas visíveis de gestão, a grande maioria para a população mais pobre, a grande maioria do eleitor. Mas mirou na classe média também, com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de programas para quem está com a corda no pescoço.
E uma eleição, em especial, feita de comparação. E esta será entre o que tem hoje ou voltar para um passado encarnado por Flávio Bolsonaro.
Que, além de não ser o pai, tem um telhado de vidro que Jair não teve com tanta evidência, com denúncias de tudo quanto é lado, de rachadinha a envolvimento com a milícia carioca, além de enriquecimento ilícito e sonegação. Mais recentemente, esteve envolvido no caso do Banco Master, com a gravação de conversa em que chama o banqueiro Daniel Vorcaro de “irmão”.
Para piorar, a madrasta Michelle Bolsonaro fez um vídeo bomba contra ele e se criou uma narrativa de que ainda tem muita coisa para aparecer da vida privada do presidenciável do PL.
Quem trabalha com marketing sabe bem. Uma campanha que começa se explicando é fadada ao insucesso. Ainda mais quando tem do outro lado um candidato que tem a máquina federal na mão.
Por isso, o Informe Blumenau aposta que Lula e Jorginho Mello serão eleitos em outubro.



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