O tema é necessário, um dos grandes problemas sociais do mundo moderno, longe de consenso, portanto polêmico. Nos referimos às abordagens sociais e internações involuntárias. Em Blumenau, elas começaram a ser feitas com mais ênfase nesta gestão de Egidio Ferrari (PL), gerando uma grande visibilidade nas redes sociais, com a maioria de quem interage com as postagens apoiando a iniciativa.
Nesta quinta-feira, houve mais uma internação voluntária, de uma mulher de 44 anos, com quadro de dependência química associado a transtornos mentais. Ela é acompanhada pela rede socioassistencial desde 2015, com 1.058 atendimentos registrados em serviços como acolhimentos institucionais, comunidades terapêuticas, abordagem social e Centro de Referência Especializado em População em Situação de Rua (Centro POP). Na área da saúde, soma 207 atendimentos pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CapsAD), além de inúmeras abordagens realizadas pelo Consultório na Rua.
Foi a nona internação involuntária realizada desde o começo do ano passado, segundo o secretário de Desenvolvimento Social, Rafael Burgonovo. Questionamos ele sobre a situação das outras oito. Ele nos disse que três pessoas estão em residências inclusivas — são aquelas pessoas com problemas mentais —, outras três em comunidades terapêuticas fazendo tratamento para se livrar das drogas e duas que, quando foram para as comunidades, fugiram, mas não estão mais na cidade, pois não foram mais encontradas.
Rafael explica que o primeiro procedimento é levar estas pessoas para um exame clínico no hospital e, se necessário, seguir o tratamento para desintoxicação, para depois seguir o tratamento nas comunidades terapêuticas. Ele diz ainda que a internação involuntária só se dá após uma avaliação de técnicos da Secretaria de Assistência Social e Saúde, respaldados por um laudo médico.
Estima-se que haja hoje em Blumenau 530 pessoas em situação de rua, sendo que 260 acolhidas em abrigos e comunidades terapêuticas. Na madrugada de sexta-feira, nova operação, quando 28 pessoas foram abordadas. Segundo Rafael, 12 aceitaram ir para os abrigos, duas foram encaminhadas para suas cidades de origem, depois de conversa com a secretaria de assistência social destes municípios ou familiares, e 14 não quiseram atendimento, seguindo na rua.
Ele explica que, nesses casos, a abordagem social não pode obrigar a pessoa a sair do local, desde que ela não represente risco para si ou para os outros. E que estas pessoas, mesmo com a negativa, passam a integrar o cadastro da secretaria.
“Temos avançado bastante nas mudanças do atendimento, ampliando o trabalho da abordagem social e o horário do Centro POP. Portanto, vejo de forma positiva esse progresso, mas sabemos que ainda há muito a ser feito”, disse o secretário.



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