Análise | Presidente do Samae fala na Câmara de investimentos da autarquia, sem questionamentos públicos

Foto: Rogério Pires/CMB

Quem pensou a estratégia precisa ser elogiado. Na semana passada, antes da votação do requerimento para a realização de uma audiência pública para discutir a falta de água em Blumenau, foi lido um comunicado do presidente do Samae, Alexandre de Vargas, se disponibilizando a comparecer no Legislativo para falar sobre os investimentos da autarquia.

A possibilidade sensibilizou a base governista, que arranjou um álibi para votar contra o requerimento do petista Jean Volpato, alegando a perda de sentido em razão da ida do presidente do Samae, mesmo sabendo que a comunidade não poderia se manifestar.

“Mas nós, vereadores, poderemos questionar”, falaram alguns para justificar os votos contra o debate.

Nesta terça-feira, Alexandre de Vargas participou da sessão, usando a tribuna para explicar os investimentos da autarquia. Disse que o número de reclamações caiu pouco mais de 7% do ano passado para cá, que o número de casos mais agudos da falta de água não atinge muito mais que mil unidades consumidoras – de um total de cerca de 100 mil – e que muito tem sido feito em termos de obras.

Também falou sobre o impasse agora judicializado com a Blumob, que ocupa o terreno público que vai ser usado para a construção da nova estação de tratamento, a ETA 5. A Justiça deu ganho de causa ao Município, mas uma multa pequena para a concessionária do transporte coletivo, que permanece no local, atrapalhando o avanço do serviço.

Depois de quase quinze minutos de fala de Vargas sem ser interrompido, a expectativa de parte da imprensa e das pessoas que estavam presentes era a cobrança que seria feita pelos vereadores.

Mas, para surpresa de todos, o presidente e os vereadores foram para a sala “secreta”, a que fica no fundo do plenário, para conversar com Vargas. Como ele se “ofereceu” para ir à Câmara, não pode ser questionado pelos vereadores, de acordo com o regimento interno.

O nosso entendimento, no primeiro momento, era de que se faria um acordo para que o presidente respondesse algumas perguntas de volta no plenário. Não foi o que aconteceu. Ele respondeu aos questionamentos, mas fechado numa sala pequena, para poucos.

É importante deixar claro algumas coisas.

Vargas em momento algum se recusou a responder, até me pareceu depois meio surpreso com o que aconteceu. Disse que estava à disposição para responder às perguntas dos vereadores. E atendeu a imprensa presente.

Outra coisa importante. A administração Egidio Ferrari (PL) não é a responsável pelos problemas de abastecimento de água; eles vêm de muitas administrações. Como é necessário dizer também que os investimentos em curso são da gestão passada, de Mário Hildebrandt (PL).

Dito isso, não dá para demonizar A ou B, mas a responsabilidade hoje é de quem está lá e cabe a ele prestar esclarecimentos e, na medida do possível, minimizar o impacto à população afetada.

E o que aconteceu hoje na Câmara não foi a demonstração de transparência e respeito que a população merece para um tema tão sensível.

Uma pena.

 

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