Opinião | 7×1, nunca mais!

Imagem gerada com IA

Em 8 de julho de 2014, uma terça-feira, perdemos para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo — um trauma esportivo que muitos preferem esquecer, mas não superar.

Já a 6 × 1 afeta a vida de milhões de jovens, pais e mães, impondo uma jornada de trabalho desumana, que afasta as pessoas da família e produz cidadãos exaustos e sem tempo para o lazer, cultura, convivência comunitária e religiosa ou qualquer atividade além do trabalho. É um trauma da vida real, que gera sofrimento individual e coletivo. Não adianta esquecer ou mascarar: precisamos superar! E a única forma de avançar enquanto sociedade e democracia é reduzir a jornada de trabalho sem redução de salário, com o FIM DA ESCALA 6 × 1 para todas e todos.

Desde as primeiras lutas e conquistas por direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho, a economia nacional e local sempre se adaptou, buscando novos equilíbrios e garantindo mais dignidade e qualidade de vida, sem perder competitividade ou produtividade.

Trabalhamos para viver, e não o contrário. Por isso, é responsabilidade de políticos, governos, empresários, sindicatos, trabalhadores e da comunidade construir uma sociedade justa e saudável, onde existam condições reais de viver além do tempo dedicado ao trabalho. O fim da escala 6×1 permitirá mais convivência familiar, mais vida na cidade e trabalhadores mais descansados, produtivos e comprometidos, representando um avanço concreto para a sociedade brasileira.

No final do século XIX, às vésperas da abolição da escravidão, parte do empresariado afirmava que o fim daquele sistema levaria à ruína da lavoura e da economia. O discurso vinha travestido de moderação; não se declaravam contra a liberdade, apenas diziam que não era “o momento certo”, tratando esse direito como um risco a ser adiado.

Hoje, o debate repete esse padrão. Argumenta-se que reduzir a jornada ameaçaria empregos e a sustentabilidade dos negócios, especialmente pequenos e médios.

Não se nega o direito ao descanso, mas se afirma que “ainda não é possível”, mantendo a lógica de adiar direitos em nome de uma suposta necessidade econômica imediata.

Numa democracia, todos os interesses e argumentos devem ser ouvidos em pé de igualdade, com transparência e mediação adequada. A sustentabilidade da economia é fundamental, mas não pode ocorrer às custas do sofrimento das pessoas. Vivemos numa sociedade pós-revolução digital, onde tecnologia, inteligência artificial e novas formas de trabalho já permitem esse equilíbrio, se estiverem a serviço da sociedade e do trabalho, e não apenas do capital.

Como nação moderna e democrática, somos capazes de construir uma solução real para essa injustiça que penaliza milhões de trabalhadoras e trabalhadores. Superar a escala 6×1 é deixar um legado de mais qualidade de vida, mais democracia e mais justiça social para as próximas gerações.

“Não se pode comprometer a ordem econômica do país por medidas que, embora generosas, ignoram as realidades da produção.”

Argumento recorrente de setores empresariais no final do século XIX, utilizado para defender o adiamento da abolição da escravidão.

Christian Krambeck, Arquiteto e Urbanista, empresário e professor de Arquitetura e Urbanismo FURB

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