Opinião: De Kairós Et Queiroz

Por Aroldo Bernhardt – Professor 

Parece trocadilho, mas acho que é paronomásia, Kairós e Queiroz. Ambas as palavras tem origem grega e aí acaba a similitude, enquanto a primeira significa “momento certo” ou “oportuno”, relativo a uma antiga noção que os gregos tinham do tempo, Queiroz é apenas um sobrenome antigo português cuja base também tem origem grega e significa “mais forte” ou “pedra”.

Falar em pedra pode remeter a São Pedro, a pedra sobre a qual seria construída a Igreja, mas também, e simplesmente, significa uma matéria mineral dura que às vezes pode servir de projétil a ser lançado ou ainda algo muito valioso e que por isso deve ficar escondido, guardado, protegido por “sete chaves”.

Pois bem, Queiroz a pedra, é aquela que está nos sapatos do Bolsonaro, a lembrar a toda hora, que pedras podem ser úteis ou perigosas. É possível tirar a pedra dos sapatos ou seguir em frente manquitolando e esperando que ninguém perceba o quão manco se está. E esse governo só “dá mancadas”. Então a pedra fica escondida, protegida, metaforicamente nos sapatos do Presidente e na real sob valhacouto dos comparsas (lembram? O Queiroz já esteve em local protegido por milicianos).

Enquanto isso Kairós, o momento certo para esclarecer o Brasil (lembram do “Brasil, acima de todos”?) sobre o paradeiro do Queiroz surgiu na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, na qual o ministro da Justiça, Sergio Moro, compareceu para falar de seu projeto de lei “anticrime”. E o ex-Juiz fugiu à pergunta afirmando que o seu teor seria ofensivo ao governo. E olha que ele, o Moro, já foi um grande “perguntador’.

Perguntar ofende? Perguntar não ofende, o que ofende é pensar e ter dúvidas sobre algo. Especialmente no ambiente em que a pergunta ululante “cadê o Queiroz” foi feita. Os Deputados são os representantes do povo. E o povo quer saber onde está a “pedra”?

Mas, conforme coloquei no parágrafo inicial, Queiroz originalmente além de significar pedra também significa “o mais forte” e, de fato, de homem forte dos Bolsonaros ele agora é realmente a pedra que incomoda. Faz o Presidente mancar e fez o Ministro titubear, esconder e fugir à pergunta. Já pensaram se no próximo ENEM perguntarem aos estudantes “onde está o Queiroz?”. Ninguém acertaria, reprovação geral e irrestrita. Mas fiquem tranquilos, essa pergunta não será feita.

Essa pergunta não será feita porque segundo o Moro ofende o governo (eu, ao contrário, acho que se o Queiroz for achado e questionado, desMOROna de vez o governo) e mais, as provas do ENEM serão previamente censuradas pelo Bolsonaro, ou por alguém a seu mando, segundo ele mesmo afirmou em alto e abusivo tom e, portanto, Queiroz não será tema de qualquer questionamento.

Bem, se a filosofia não tivesse sido proibida no país, talvez o tema da redação fosse “perguntar ofende?”. Contudo para não aborrecer os homens do governo todas as perguntas serão abolidas. Mas eis que por força do hábito, fui tomado de irresistível vontade de perguntar: por que colocaram os dados que subsidiaram a proposta oficial de Reforma da Previdência sob sigilo? Cala-te boca! Seja prudente!

E ser prudente em tempos de censura e cólera, é aguardar o retorno da Democracia para fazer perguntas do tipo “por quê” (essencial da Filosofia).

Enquanto isso, não esqueçam: Queiroz acima de todos!

1 Comentário

  1. Caro missivista tendencioso, Queiroz tem culpa no cartório? sim: mas por que não citou os principais e vergonhosos com valores bem maiores hein?!
    Como André Ceciliano PT ALERJ 49 milhões, Paulo Ramos PDT ALERJ 30 milhões e Eleomar Coelho PSOL ALERJ 1700?
    foram uns 22 políticos que tiveram assessores movimentando quantias muito mais elevadas que o assessor do Flávio!
    Agora entendemos porque a esquerda golpista quer tanto Moro longe do Coaf né!

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