Não espere somente pela primavera, a vigilância deve ser eterna

Felipe Schultze

Bacharel em Direito

 

Durante a crise política e a economia derrocada, o refúgio nas salas de cinema não era o suficiente para qualquer tipo de escapismo da realidade tórrida. Os problemas do país passavam a impressão de que a saída do poço sem fundo não era pela política e pelos políticos tradicionais. Em um ambiente polarizado, onde se escolhia ou a esquerda ou a extrema direita, os sociais democratas decidiram escolher o extremismo, que era, desde aquela época, de aparência duvidosa. E como um cervo caçado por um tigre, os sociais democratas foram engolidos pelo extremismo.

E de repente, um nacionalismo irrestrito tomou conta do país, a jovem democracia, ainda na puberdade, vivia os últimos momentos de vida através de aparelho respiratório. Como escreveu ENRIC GONZÁLEZ, quando o diálogo se torna impossível, não resta outra opção a não ser suprimir o adversário.

Após os acontecimentos relatados acima, um artista frustrado, como  era chamado por Churchill, tomou posse na Alemanha como chanceler. Assim, Adolf Hitler, o “grande falastrão”  como Mussolini referiu-se a ele após o primeiro encontro dos dois, tomou posse após um golpe de estado, inaugurando um show de horrores sem precedentes nas história da humanidade. Pregando a raiva e ódio, a democracia foi suprimida através de aplausos. O extremismo era movido pelo ódio. Ódio pelas minorias, ódio pelo antissemitismo. Winston Churchill sempre afirmou que o fascismo era cria do comunismo, porque o fascismo era movido pelo ódio que tinha contra ele. Hitler perdeu a eleição, mas mesmo assim tomou posse como presidente,  isso nos indica que precisamos ter vigilância eterna, o sol voltar a brilhar não significa que nos livramos dos fascistas. A defesa da democracia é uma arte que exige paciência e fé.

Qualquer país, em tempos de crise, pode-se render ao primitivo discurso de ódio. Por isso é necessário combater de forma sistemática qualquer discurso que possa inaugurar tempos de ódios e de intolerâncias, mesmo que as postagens nas redes sociais nos leve à farmácia para pedir mais uma dose de antidepressivos. Oxigênio, por favor, o autoritarismo sufoca.

 

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