Mais um round na tensa relação entre Prefeitura e Câmara de Blumenau

A exoneração de cerca de 28 cargos comissionados ligados ao PP e ao vereador Almir Vieira, pela administração Mário Hildebrandt (sem partido),  caiu como bomba nos bastidores da política de Blumenau, evidenciando ainda mais a tensa relação entre Executivo e Legislativo. Aconteceu nesta quinta-feira.

Durante a eleição da Mesa Diretora, em dezembro, se formou um  grupo de seis vereadores – Almir Vieira (PP), Alexandre Caminha ( PSD), Ailton de Souza (PR), Jovino Cardoso (PROS), Marcelo Lanzarin (MDB) e Adriano Pereira (PT) – que se mantém até agora. Com os votos de Bruno Cunha (PSB) e Professor Gilson (PSD), garantiram a eleição de Marcelo Lanzarin como presidente e alijaram o PSDB e DEM da Mesa e dos cargos.

Esse grupo reuniu-se logo depois da sessão desta quinta-feira- não sei quantos vereadores participaram -, para refletir e decidir o que fazer, em um encontro marcado pela tensão.

Ânimos parcialmente acalmados, decidiu-se buscar uma conversa com os interlocutores da Prefeitura, o secretário de Comunicação e Relações Institucionais, André Espezim e César Botelho, chefe de Gabinete, nesta sexta-feira.

Resta saber se será uma conversa com faca no pescoço ou para tentar pacificar um caminho. A cidade precisa estar em primeiro lugar nesta queda de braço entre dois grupos de vereadores – com o Governo literalmente no meio – que começou no final de 2018, depois das eleições.

A gota d’água pela exoneração de parte dos cargos comissionados do PP foi a eleição das comissões da Câmara, na última terça, primeira sessão de 2019. Na articulação anterior, havia um acordo, costurado pelo Governo, para que a Comissão de Finanças ficasse com o PSDB na presidência e na CCJ o vereador Jovino Cardoso Neto (PROS).

Jovino confirmou, mas a Finanças ficou com o vereador Gilson de Souza, com o apoio de Cezar Cim (PP) e Adriano Pereira (PT).

Assim como na eleição da Mesa Diretora, o grupo de seis vereadores desfez a negociação do Governo com a bancada PSDB e DEM.

E a administração Mário Hildebrandt (sem partido) busca preservar os parceiros de primeira ordem do Governo Napoleão Bernardes (PSDB), que permanecem fiéis, no caso Tucanos e Democratas, e entende que PP, PR, PSD e MDB são aliados do Governo, ou pelos menos deviam ser.

Uma aliança que, no jogo político brasileiro, tem como moeda a troca cargos comissionados. E todos os partidos tem cargos indicados na Prefeitura.

PS: A imagem que se tem é que cargos comissionados são um absurdo, uma discrepância do sistema político. Não são. O que podemos e devemos discutir é a quantidade destes cargos e a indicação de pessoas sem perfil para as funções designadas. Mas eles são importantes para que os eleitos possam desempenhar suas atividades com pessoas de sua confiança, em todas as esferas de poder.

E assim começa um ano que não tem eleição, mas promete fortes emoções para quem acompanha política. E exige bom senso daqueles que a fazem no dia a dia.

O recado das urnas foi dado em 2018.

2020 está logo ali. Quem quiser permanecer na política, precisa ouvir e assimilar.

 

 

 

 

 

 

3 Comentário

  1. Tinha a plena convicção que os três poderes são (eram) independentes….
    Estariam sempre unidos única e exclusivamente em prol da cidade, estado e país……
    Mas….
    UTOPIA, meu caro contribuinte-eleitor…..
    UTOPIA….cada qual a seu gosto….
    LAMENTÁVEL e LASTIMÁVEL !

  2. Vereador não tem que ser oposição ou situação, tem que ser atuação .

    Vereador que tem cargo comissionado para votar a favor do governo , deveria ser expulso da câmara . Depois quando falamos que só fazem politicagem barata , que só pensam neles, que estão se lixando para o povo , reclamam . Falta-lhes dignidade .

    Eis a prova , estão se matando por cargos comissionados e posições no legislativo .

    Felizmente 2020 esta chegando , quiça o povo acorde e não reeleja ninguém , pois se o fizerem , serão cúmplices desta falta de dignidade ….bando.

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