A lista da JBS

Por Fernando Krieger, colaborador voluntário

O STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou o sigilo das delações do grupo JBS nesta sexta-feira,19, e o conteúdo mais uma vez é bombástico e envolve vários nomes da política nacional.

Temer

O presidente Michel Temer (PMDB) teria recebido valores próximos a R$ 15 milhões em pagamentos de vantagens indevidas (2014), segundo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais do Grupo. A quantia teria como contrapartida favorecimentos ao Grupo J&F, controlador do frigorífico JBS.

“Além disso, haveria solicitação de outros valores relacionados à atuação em benefício do grupo empresarial J&F no tocante ao destravamento das compensações de créditos de PIS/COFINS com débitos do INSS”, aponta a delação.

O pagamento teria relação com o apoio do PMDB à reeleição de Dilma. “Eu trouxe o PMDB inteiro, como é que não tem nada para mim?”, teria dito Temer segundo relato de Saud.

Saud chegou a reclamar para o tesoureiro da campanha do PT, o ex-ministro Edinho Silva, sobre a cobrança de Temer por verba para a campanha.
“O homem quer R$ 15 milhões e você tá deixando R$ 5 milhões aqui”. Relembra Ricardo Saud.

Edinho teria autorizado então o repasse a Temer. “Aí veio a ordem para dar os R$ 15 milhões do Temer. Do PT para o PMDB para a campanha do Temer”.

Temer ainda não se pronunciou sobre as acusações.

Lula e Dilma

Joesley Batista e Ricardo Saud relataram pagamentos de US$ 80 milhões em propina “em favor” dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, “mediante depósitos em contas distintas no exterior”.

Segundo a delação, Luiz Inácio teria recebido “vantagens indevidas” na ordem de US$ 50 milhões. Já Dilma, seria a destinatária de US$ 30 milhões.

Guido Mantega, que atuou como ministro nos dois governos, seria o intermediário dos pagamentos.

Os negócios seriam realizados no âmbito do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), da Petros (Fundação Petrobrás de Seguridade Social) e da Funcef (Fundação dos Economiários Federais), “com objetivo de beneficiar o grupo empresarial JBS”.

A defesa de Lula disse que as afirmações de Joesley Batista sobre ele nos trechos vazados à imprensa “não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados”.

Aécio Neves

Executivos da JBS ainda relataram repasse de propina no valor de R$ 60 milhões para o senador Aécio Neves (PSDB) em 2014.

Segundo a delação, Aécio usaria a influência do seu mandato para “beneficiar diretamente interesses do grupo”.

Informações ainda dão conta de que a companhia ajudou a comprar partidos para a composição da chapa em 2014.

De acordo com os executivos, a empresa emitiu uma série de notas fiscais frias a empresas indicadas pelo senador. O indicado para receber os valores em espécie, seria um primo do parlamentar, Frederico Medeiros.

Nenhum comentário foi divulgado por parte do acusado.

Outros nomes

Mas a lista é ampla e representativa:

José Serra, ex-chanceler e ex-presidenciável, que teria recebido R$ 20 milhões em 2010.
Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, que teria recebido R$ 40 milhões.
Delcídio do Amaral, ex-senador, R$ 5 milhões.
Eunício Oliveira, atual presidente do Senado, teria pedido R$ 5 milhões
Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, recebia pagamento mensal de R$ 300 mil, enquanto era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
E a senadora Marta Suplicy, que recebia “mesadas” de R$ 200 mil, mais um pagamento de R$ 1 milhão.

E fora os peixes menores, de praticamente todos os partidos. O pagamento de deputados e senadores era prática recorrente, quase uma mesada.

Sem esquecer de Santa Catarina, com o governador Raimundo Colombo e o poderoso secretário de Fazenda, Antônio Gavazzoni, ambos do PSD. Depois da Odebrecht, também são citados pela JBS, assunto que você confere aqui.

Desde que foram divulgados os conteúdos das delações da JBS, o Brasil tem vivido “fortes emoções” e a qualquer momento novas informações podem surgir, envolvendo mais nomes inclusive.

O rapaz da foto abaixo é Joesley Batista, que assim como Marcelo Odebrecht, tenta diminuir seus problemas escancarando as entranhas da corrupção.

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