Bucéfalos

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Luiz Carlos Nemetz

Advogado

 

Bucéfalos.

Fantasiados disso é que grandiosíssima parte do povo brasileiro deveria sair às ruas neste carnaval. Serão cerca de 80 milhões de foliões.

Pense bem: Será que não é hora de repensar? De estabelecer novos limites?

Nos dias de hoje um quarto da nação na rua festejando a alegria. Que alegria?

Não quero ser inconveniente, nem inoportuno ou estraga prazeres. Quero convidar a reflexão. O politicamente correto não me pega mais, pelo menos nos tempos atuais…

Que cultura é essa que prega nos dias de reinado de um rei idiota a bebedeira geral? Um feriado que bate recordes de mortes no trânsito e no consumo de todos os tipos de drogas? Que país milionário é esse, que no auge de uma das maiores crises da sua história, se dá ao luxo de parar tudo, absolutamente tudo, por uma semana, para “brincar” o carnaval?

Brincar o que nestes tempos? Em nome do que temos algo a festejar atualmente?

Nas escolas de samba os pobres coitados gastaram um ano inteiro fazendo alegorias sem sentido, para em pouco mais de uma hora se expor para nada num desfile que ano a ano se repete, de forma neurótica, com músicas que parecem que andam num círculo ao entorno de um circo cromático, repetindo as mesmas estrofes como se vivessem coletivamente a Síndrome de Goldfield.

Que espetáculo é esse? O que ele ensina? O que ele educa? O que ele constrói? Que tipo de pessoas ele forma? A quem ele interessa? O bolso de quem ele engorda? Quem ele enobrece? E a quem empobrece?

Que orgia é essa que dissimulada e subliminarmente incentiva a lascívia e a erotização vulgar das pessoas?

Essas mesmas pessoas que, passada a festa, fazem estardalhaço reivindicando retidão moral e ética nas relações sócio afetivas?

Que festa é essa num país de milhões de miseráveis, dominado por corruptos, que está caindo de podre em suas estruturas de poder?

Que festa é essa? Será que é tempo de fazê-la?

Centralizada num Estado falido, numa cidade que pode até ter uma paisagem maravilhosa, mas é onde no ano passado foram assassinados mais de 100 policiais em serviço; neste ano já morreram mais de 10 crianças vítimas de balas perdidas; onde existem milhões de pessoas reféns do tráfico, vivendo de forma miserável em favelas sem as mais básicas e elementares condições de urbanismo, saneamento, educação, saúde, segurança e higiene. Onde os doentes se amontam e morrem em filas de hospitais quebrados. Que está devendo tudo: desde salários dos servidores até os fornecedores de merenda das escolas e de remédios dos postos de saúde.

Que alegria é essa? Onde está a alegria de um país que tem 12 milhões de pessoas desempregadas? Que povo é esse que aceita se deixar iludir e embriagar por uma falsa noção de felicidade, enquanto sofre abuso e é usurpado nas mais elementares, fundamentais e indispensáveis condições de vida? Que povo é esse que se auto engana de forma psicótica, coletivamente e entra em estado de euforia inútil?

Uma orgia de gastos do dinheiro público em alegorias coloridas? Que pais milionário é esse que se dá ao luxo de viver uma miragem, que leva a um delírio coletivo, construído sobre uma alucinação fantasiosa e mentirosa de felicidade, que vira lixo na semana seguinte? Que povo milionário é esse que em tão pouco tempo produz tantos desperdícios, extravagâncias, dilapidação da teia social? De tanta prodigalidade vazia?

Será que devemos manter essa “rica cultura popular”? E o pior: essa gente tola, ingênua, se acha mesmo vivendo no reino da alucinação fantasiosa, do prazer, do sucesso, do triunfo e da glória.

Sugiro a substituição da criatividade que usam para produzir luxo podre para urbanizar as favelas, pintar e aparelhar as escolas, equipar e fazer voluntariado nos hospitais. Então seriamos em um ano o país das maravilhas. Então teríamos um início de motivo para “festejar”.

Enquanto o bloco não mudar de alegoria, e o tema da falsa festa não for outro, seguiremos sendo um cordão roto de foliões idiotas seguindo um cortejo fúnebre com a falsa sensação de que estamos arrombando, quando na verdade, o bando agrupado segue sendo mais do mesmo: um coletivo sem rumo. Patetas tolos, fantasiados de pierrôs, de sujos, arlequins e colombinas durante o carnaval. Mas vivendo e sendo tratados como pobres palhaços no restante do ano.

Pensar…Pensando bem, talvez possamos e seja prudente mudarmos de enredo!

4 Comentário

  1. Alcino Carrancho, Aquele Que Nestas Próximas Eleições Somente Votará em Candidato "Zero Quilômetro" disse:

    Olá, Nemetz!
    Trocaria o título por “BURROS”, mesmo.
    O bucéfalo tem muita utilidade e não tem culpa de ser cavalo, digamos, respeitosamente, “vira-lata”.
    Não desisto, Nemetz, mas acho que o Brasil não é mais para nós, meu caro!
    E um dos culpados és tu que não sabes votar. Ou não sabias…

    Alcino Carrancho
    (El Defenestrador Implacable)

  2. Partilho da maioria das colocações deste artigo, mas tenho quase certeza de que nenhum dos leitores deste jornal, e mais especificamente desta coluna, é um folião. Na prática fica o mesmo que falar ao vento. Na prática vivemos a política do pão e circo adaptada à atualidade, isso é lamentável.

  3. Alcino Carrancho, Aquele Que Nestas Próximas Eleições Somente Votará em Candidato "Zero Quilômetro" disse:

    Concordo contigo, Zezinho!

    Mas que é gostoso dizer que o Nemetz não sabe votar, ah, isso é! kkkkkkk…

    Ou não sabia votar e andou em muito más companhias, conforme o mesmo acabou confessando, eheheheheheheheheh…

    Recado ao Nemetz: não me faças mais burradas! Ou, respeitosamente aos bucéfalos, estes muito mais inteligentes do que o Nemetz, não me faças mais bucefaladas!

    Alcino Carrancho
    (El Defenestrador Implacable, Ora Pois!)

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