As ondas eleitorais

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Gaudêncio Torquato

jornalista,  professor titular da USP, consultor político e de comunicação

 

O campo eleitoral costuma ser movimentado por ondas. Que circulam de cima para baixo e de baixo para cima, absorvendo climas, circunstâncias, discursos e canalizando esse conjunto de inputs na direção de potenciais perfis, principalmente candidatos a pleitos presidenciais. Em face da competitividade alcançada pela eleição deste ano, a atenção maior se volta para aqueles que pleiteiam o assento no Palácio do Planalto, razão porque figurantes estaduais, a poucos meses antes do pleito, não ganham tanta projeção quanto os protagonistas presidenciais.

As ondas ganham o empuxo do momento, empurrando para cima perfis que parecem responder às demandas imediatas da sociedade. As demandas, por sua vez, reúnem anseios, expectativas, frustrações do povo para com governantes e suas políticas, e contextos que levam em conta heranças do passado e esperanças do eleitor em relação ao futuro.

No caso do Brasil, a leitura do momento exibe um país que afundou na maior recessão econômica da história; a ascensão de um novo governante sob a decisão congressual de afastar a presidente; reformas – teto de gastos, trabalho, educação, terceirização etc- não suficientemente explicadas e entendidas pela sociedade; o maior processo de investigação da corrupção em todos os tempos, com envolvimento de altos empresários, políticos e governantes; prisão do líder mais populista do país; tentativa de um partido de tornar vítima seu líder maior e, dessa forma, retornar ao centro do poder, depois de 13 anos de comando do país; indignação social contra a classe política; volta de uma polarização do discurso que tem como lema “nós e eles”; dispersão do campo político; situação falimentar de Estados e Municípios; extrema violência que assola os quatro cantos do país; e precarização dos serviços públicos.

Essa é a moldura que está por trás dos agentes que se apresentam como pré-candidatos em outubro próximo à Presidência da República. Sob a influência de alguns traços do cenário, o eleitor faz suas primeiras escolhas. De um lado, um partido organizado, com militância aguerrida, que proclama todo tempo ter sido responsável pelo “melhor governo que o Brasil já teve em todos os tempos”, sem abrir ouvidos ao maior rombo do Tesouro por eles provocado no governo da presidente impichada. O “Salvador da Pátria”, mesmo preso, continua sendo elevado aos píncaros da glória, graças ao carisma que ainda detém. O que explica a margem histórica de 30% que lhe dão pesquisas de intenção de voto. De outro lado, emerge a figura que faz o papel de contraponto, um perfil de extrema direita, ex-militar que sustenta o discurso da ordem contra a bagunça, sob os lemas de “bandido bom é bandido morto”, “soldado bom é aquele que mata”.

Jair Bolsonaro, pois, é empurrado para o alto pela temperatura ambiental, enquanto Luiz Inácio está, como esteve antes, sendo impulsionado pela onda petista, muito forte mesmo contra ventos que levam o petismo para a profundeza oceânica. Será que ambos sustentariam seus índices até outubro? Lula está praticamente fora do jogo, eis que, mesmo sendo solto, deverá entrar na lama do ficha-suja. Tudo indica que será impedido pelo TSE e seu substituto não levaria seus votos. Bolsonaro representa a sociedade indignada, mas não o voto mais consciente e racional das maiores parcelas das classes médias. Terá poucos segundos de TV para fazer sua campanha.

Estamos divisando outras ondas carregando Joaquim Barbosa, Marina Silva e Ciro Gomes. Ondas revoltas. Quando o mar estiver menos agitado, será razoável supor que outros perfis poderão ascender na escada eleitoral. A decisão do eleitor muda segundo as circunstâncias. Por enquanto, os ventos do outono puxam os perfis. Aguardemos a ventania do inverno e o sopro do verão.

4 Comentário

  1. Alcino Carrancho, Aquele Que Nestas Próximas Eleições Somente Votará em Político "Zero Quilômetro" disse:

    A minha onda/vibe é DEFENESTRAR toda essa BANDALHEIRA!

    Bolsonaro??? Tenhamos juízo, em nome dos nossos filhos e netos!

    Somente votarei em político tinindo de novo!

    Será a minha SÁBIA atitude!

  2. Até o presente momento, não surgiu alguém que mereça meu voto , não vou dar procuração para bandido ou demagogo .

  3. Alcino Carrancho, Aquele Que Nestas Próximas Eleições Somente Votará em Político "Zero Quilômetro" disse:

    Prezadíssimo senhor Cícero: não entendi o amigo, pois o Sr. Álvaro Dias não é estreante e me parece mais sujo que pau de galinheiro.

    Para mim, terá que ser ESTREANTE, mesmo!

    Lhe sugiro que leia o Estatuto do NOVO 30 – João Amoêdo. Não lhe estou dizendo que já vendi a minha alma a esse Amoêdo… Talvez venha a votar nele no primeiro turno e, depois, em qualquer DIABO menos diabo!

    Vote, Sr. Cícero, pensando nos seus filhos e netos, pois terá mais chances de acertar!

    Não reelegerei! Nem que vaca tussa!

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