Ano novo! Prometo que…

Luiz Carlos Nemetz

Advogado

 

 

Amanhã já estaremos em 2018.

Quando se entra nos “enta”, a vida parece que voa…E cada ano, tudo passa mais rápido. Na velocidade do pensamento.

E quando se aproximam as festas de final de ano, as pessoas parecem que vivem com mais intensidade suas angústias e ansiedades. Tentam, em poucos dias, fazer o que se propuseram a cumprir como metas no curso do ano que se vai.

Parece que coletivamente se tem a sensação de estarmos chegando próximo a um abismo.Quase todos querem cumprir as metas, ainda que de forma simbólica, no curso de uma ou duas semanas.

Se pensarmos bem, é um ano novo, sim. Mas é só uma data de calendário. Muita gente sofre. Outras ficam eufóricas e se deixam levar pela onda das festas.

Claro, é um tempo diferente.

De reunião de família, de amigos, de mesa farta, de mensagens sentimentais, de nostalgia, de proximidade afetiva.

É época do comando do inconsciente, que nos leva aos momentos mais lúdicos da existência, que é a infância.

E a criatividade se põe a ditar promessas de novos padrões de comportamentos para o ano que entra sob o comando de boas emoções, propósitos e sentimentos íntimos.

Com o passar dos anos, aprendemos a usar mais a intuição, a criatividade, a melhorar os hábitos e mesmo as crenças e conexões espirituais.

Então, naturalmente, passamos a ter melhor domínio das funções vitais, na certeza de que já podemos sentir que a qualquer momento, pode ser a hora do nosso embarque. A cada virada de ano, quando fazemos as contas, percebemos que a vida é feita de anos; e que os anos são recheados de perdas e de ganhos. E que um dia já fomos o ganho de outros. E que se, em algum dia, por acaso viermos a “faltar”, seremos perda, também.

São os mistérios da existência.

Então para o ano novo o razoável é fazer boas escolhas, o que nem sempre é uma tarefa fácil.

Encher a agenda de bons propósitos, novos planos e de novas metas. Mesmo sabendo que nem todos poderão ser cumpridas, executadas ou atingidas.

Ano novo é tempo de semeadura. E não custa tentar plantar novas e boas sementes.

Mas sempre nesta época, me ponho a pensar numa situação. Imagino Deus, sentado no céu, olhando para a terra e para nós, os habitantes do planeta.

E, para encontrar números bem redondos para o fim de ilustrar o raciocínio, imagino o que Ele deva achar da noite da vidada do ano? Para ser didático, vou pegar o Brasil, como sendo a base de alguma estatística que Ele eventualmente pudesse usar. São 5.300 municípios, certo?

Se em cada um se gastar R$ 50.000,00 em fogos de artifício (o que é uma média bem razoável) considerando o conjunto de toda a população que solta foguetes, no nosso país, queimamos na virada do ano, algo em torno de R$ 265 milhões. Se multiplicarmos isso pelo resto do mundo, a queima passa de R$ 80 bilhões. Fora os gastos com acidentados, incêndios, danos na rede elétrica, ao patrimônio, ao meio ambiente, etc.

Não quero ser estraga prazer, nem por culpa ou água na espumante de ninguém. Mas é uma grana muito alta para tão pouco e tão rápido retorno. Fala a verdade?

Deus deve pensar: “- Essa gente tá louca! O quê que Eu fui inventar…”. Sinceramente?

Enquanto nas noites de ano novo pelo mundo afora a humanidade adotar esse comportamento que já virou padrão universal de falsa alegria, a única coisa que seguirá correndo em alta velocidade, é o tempo que passa.

Meu primeiro propósito de ano novo, portanto, é me negar a assistir este artifício tóxico de falsa alegria e felicidade fajuta, que são esses tais de fogos. A luz, a energia, a alegria, a prosperidade, a abundância, a disciplina, a criatividade, as coisas positivas e a felicidade não estarão nas luzes de ilusão dos fogos.  Mas estão todos os dias nas minhas escolhas.

E, o ano novo, é uma data excelente para fazer boas escolhas de andar por novos caminhos.

Ao invés de olhar para o ilusório brilho no céu, vou olhar para o horizonte com os pés no chão. E crer, que as coisas podem melhorar se eu escolher melhorar. Então, terei um feliz ano novo!

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